Asma é uma doença pulmonar obstrutiva que se caracteriza por inflamação crônica das vias aéreas e hiper-reatividade. Diante de determi...

Abordagem da exacerbação da asma em pediatria



Asma é uma doença pulmonar obstrutiva que se caracteriza por inflamação crônica das vias aéreas e hiper-reatividade. Diante de determinados estímulos ocorre broncoconstrição reversível com ou sem tratamento. Tosse, pior à noite ou ao amanhecer, sibilância e opressão torácica são os sintomas mais frequentes.1,2

A prevalência da asma é alta no mundo todo, acometendo cerca de 334 milhões de indivíduos.3 É a doença crônica mais frequente em pediatria, com grande morbidade e alto consumo de recursos em saúde.4 Estudo epidemiológico recente realizado no Brasil com adolescentes de 12 a 17 anos identificou 13% de prevalência de asma, com variação regional, predominando na Região no Sul do país (19,8%).5

O tratamento de manutenção da asma visa o controle dos sintomas, a promoção de qualidade de vida e a prevenção das exacerbações. As consultas devem ter periodicidade definida de acordo com a necessidade de cada paciente e ter como foco principal o controle da doença e a redução de riscos futuros.

Pacientes com alto risco de morte por asma devem ser identificados (Quadro 1) e seguidos com consultas mais frequentes. Outros objetivos importantes do tratamento de manutenção são evitar queda progressiva da função pulmonar e efeitos adversos dos medicamentos.1,2 Apesar da disponibilidade, eficácia e segurança de tratamentos, a maioria dos pacientes encontram-se insuficientemente controlados, portanto mais propensos a exacerbações.1,2,6,7

 

 

Exacerbações ou 'crises' de asma são episódios agudos ou subagudos de piora dos sintomas caracterizados por desconforto respiratório progressivo, sibilos, tosse e opressão torácica, ou qualquer combinação destes. Entre os fatores precipitantes destacam-se infecções virais, mudança de tempo, exposição a alérgenos ambientais, entre outros. Em alguns casos a exacerbação é a primeira manifestação da asma, o que, especialmente em lactentes, é difícil distinguir de outros diagnósticos diferenciais, como bronquiolite viral aguda.

As exacerbações são causa comum de absenteísmo escolar, necessidade de tratamento em serviços de emergência e de internações. Número significativo de internações hospitalares no Brasil decorrem de asma.8,9 Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), somente de janeiro a novembro de 2014, foram 105,5 mil internações pela doença, originando um custo de R$ 57,2 milhões para a rede pública de saúde.9

A falta de controle adequado da asma, além de favorecer as exacerbações, aumenta o risco de morte pela doença e perpetua a inflamação pulmonar, favorecendo a evolução para lesões estruturais irreversíveis conhecidas como remodelamento brônquico.1,2,10 Embora a morte por asma não seja tão comum, é importante destacar que, na maioria das vezes, é um evento prevenível.3

O objetivo desta revisão não sistemática da literatura foi apresentar informações atualizadas sobre a abordagem da criança com exacerbação de asma.

 

MÉTODOS

Foram pesquisados nas bases de dados Medline, Lilacs e SciELO termos como 'asma', 'asma aguda', 'exacerbação da asma' combinados com 'crianças' e 'tratamento'. Foram selecionados diretrizes ou consensos sobre asma publicados nos últimos dez anos e artigos mais recentes sobre a terapêutica da asma aguda em pediatria.

 

RESULTADOS

A abordagem da exacerbação é um contínuo que começa em casa e se estende à abordagem na unidade básica de saúde, de pronto-atendimento, emergência, ou internação hospitalar.1,2

 

TRATAMENTO DOMICILIAR

Embora a exacerbação seja um evento comum, boa parte das vezes ela pode ser resolvida com sucesso no domicílio.1 A principal estratégia para o seu controle é o tratamento precoce.10 Para isso, todo asmático deve ter um plano de ação prescrito pelo médico que ensine o que fazer em caso de exacerbação. Esse plano precisa ser individualizado e deve estar de acordo com a gravidade da doença e a capacidade de compreensão do cuidador e/ou do próprio paciente, dependendo de sua idade e cognição. Deve conter instruções claras de como reconhecer as manifestações e a gravidade da exacerbação, como mudar o tratamento visando o controle do quadro e quando retornar ao médico ou procurar um serviço de emergência.1,2 Crianças que costumam piorar muito rapidamente ou que já tiveram crises ameaçadoras à vida devem ser prontamente levadas para atendimento de emergência.

O reconhecimento da crise é feito primordialmente pela piora dos sintomas. Na maioria das vezes a exacerbação se instala gradualmente e é anunciada por tosse seca, com ou sem taquipneia, seguida de sibilos e esforço respiratório. Em maiores de 6 anos, a avaliação objetiva da redução do fluxo aéreo pode ser feita por meio da medida da variação pico de fluxo expiratório (PFE ou peak flow). A medida do PFE tem mais valor quando o paciente já faz sua aferição regularmente.1,11

É importante questionar se os responsáveis e/ou o paciente conseguem perceber este início e recomendar que o tratamento seja iniciado prontamente, evitando piora do desconforto respiratório. A adesão a esta recomendação depende também de outras medidas de educação em saúde feitas a cada consulta de rotina. As medicações para o tratamento são em sua maioria na forma de aerossóis dosimetrados (pMDI: pressure metered dose inhalers), popularmente conhecidos como 'bombinhas' ou sprays. Os sprays são preferenciais à nebulização devido à sua melhor aceitação pelas crianças, maior praticidade, melhor depósito pulmonar e menor custo.1,2 É necessário desmistificar o uso das medicações conversando sobre segurança e efeitos colaterais comuns dos medicamentos, principalmente devido à crença popular de que bombinha faz mal para o coração. O medo do uso das medicações é causa comum de início tardio do tratamento da exacerbação ou da administração em subdose.12

Diante do reconhecimento do início da crise, recomenda-se o tratamento com broncodilatador inalatório de ação curta (SABA: short acting beta-2 agonist). A primeira escolha é o salbutamol em spray (100 mcg/jato), dois jatos, administrando um de cada vez, através de espaçador (aerocâmara com máscara para menores de 6 anos e com bocal a partir de 6 anos). Reavaliar a seguir e, se necessário, administrar esta mesma dose por mais duas vezes com intervalos de 20 minutos. Quando o paciente melhora após essas medidas iniciais, recomenda-se manter o tratamento com dois jatos a intervalos de quatro a seis horas, conforme a necessidade. Caso a criança não responda bem ao tratamento inicial, fique irritada, letárgica, pareça estar piorando ou necessite do uso de novas doses do medicamento em 1-2 horas, recomenda-se levá-la a uma unidade de pronto-atendimento ou emergência. Uma alternativa ao salbutamol spray é o salbutamol para nebulização na dose de 2,5 mg com 3 ml de soro fisiológico 0,9%.1,2

O tratamento com corticoide sistêmico iniciado a critério dos pais ou responsáveis não deve ser estimulado devido aos possíveis efeitos colaterais, principalmente se a administração for em dose errada, frequente ou por tempo prolongado.1 Criteriosamente, esta recomendação pode ser feita em casos de pacientes que fazem acompanhamento regular, quando a gravidade do quadro justifica esta medida e há confiança de que a medicação será administrada adequadamente.

Em pacientes que já usam corticoide inalatório, o aumento da dose no período de exacerbação pode ser considerado individualmente, mas não há evidências que suportem recomendar esta conduta como medida universal.1,13

O benefício da prescrição de inibidor de leucotrienos em crianças de 2 a 5 anos de idade com crise aguda de sibilância também ainda é controverso.1,14

Além do tratamento medicamentoso, deve-se tentar identificar e afastar o fator precipitante da crise, se possível.

 

TRATAMENTO NA UNIDADE DE PRONTO-ATENDIMENTO OU EMERGÊNCIA

A avaliação clínica de um paciente em crise de asma deve ser rápida, objetiva, visando o diagnóstico e a avaliação da gravidade (Figuras 1 e 2). A história breve deve incluir: há quanto tempo o quadro começou, possíveis causas para a exacerbação, a gravidade dos sintomas (especialmente comparada a exacerbações anteriores) e a história de resposta ao tratamento em visitas prévias à emergência. É muito importante destacar qualquer episódio prévio de exacerbação grave, com perda de consciência ou necessidade de intubação, e pesquisar a existência de comorbidade que possa complicar o quadro (doença cardíaca, por exemplo) ou ser agravada pelo tratamento da crise (como diabetes, que pode piorar pelo uso do corticoide sistêmico).10

 

 

 

 

O exame físico deve descrever os sinais vitais, o nível de consciência, o estado de hidratação, sinais de esforço respiratório, sibilância ou tórax silencioso e a presença ou não de cianose. Especial atenção deve ser dada à identificação de possíveis complicações, como pneumonia, atelectasia, pneumotórax e pneumomediastino. Obstrução respiratória alta também deve ser afastada, como doenças obstrutivas da laringe, distúrbios das cordas vocais e epiglotite. A presença de estridor inspiratório, voz abafada, ou respiração ruidosa bifásica, sugerem obstrução alta.10

A medida da saturação periférica de oxigênio (SpO2%) pela oximetria de pulso é muito importante em qualquer idade. Essas avaliações devem ser feitas logo na chegada do paciente e rigorosamente reavaliadas, principalmente durante a primeira hora de tratamento. Lactentes devem ser cuidadosamente examinados e reavaliados a curtos intervalos de tempo, com especial atenção à SpO2%, devido à maior propensão de evoluir para fadiga respiratória nesta faixa etária. A partir de 6 anos de idade, a obstrução respiratória pode ser objetivamente aferida pelo PFE ou pela medida do volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), obtida da espirometria, se disponível. Pacientes com dificuldade respiratória grave podem não conseguir fazer as manobras adequadas para as medidas de PFE e VEF1.1,2,10,15

A classificação da gravidade do quadro se baseia na clínica e nessas medidas objetivas. A classificação recomendada no Global Initiative for Asthma (GINA 2017) para crianças de 5 anos ou menos pode ser vista no quadro 2.1 Outras referências usam classificações que se assemelham a esta e/ou sistemas de pontuação (escores).2,11,15-17

 

 

Pacientes que chegam agitados ou letárgicos, com muita dificuldade de falar, taquicardia acentuada e saturação periférica de oxigênio (SpO2) menor que 92% devem ser prontamente hospitalizados. A medida da SpO2 é muito importante na avaliação da gravidade. Em maiores de 6 anos e adultos a queda do pico de fluxo a valores menores ou iguais a 50% do predito ou do melhor do paciente é mais um sinal de asma grave.1,2

A abordagem da crise da asma na maioria das vezes não requer exames complementares inicialmente. Radiografia de tórax pode ser feita quando há suspeita de outros diagnósticos (pneumonia, por exemplo) ou complicações (pneumotórax, atelectasia) e naqueles pacientes graves que não respondem ao tratamento inicial.18 Gasometria arterial também é importante no paciente que não melhora ou que piora durante o tratamento na emergência, visando detectar principalmente retenção de CO2. PaCO2 normal ou elevada indica má resposta ao tratamento e risco de falência respiratória.11

Nas figuras 3 e 4 estão os algoritmos para tratamento de crianças menores de 5 anos e 6 anos até adultos, de acordo com a proposta do GINA 2017. A intensidade do tratamento, a monitorização e a frequência de reavaliação clínica serão determinados pela gravidade do quadro.

 

OXIGENOTERAPIA

Pacientes com SpO2 menor que 92% devem ser imediatamente colocados em oxigenoterapia por máscara ou cateter nasal.1,2,10,11 A administração do salbutamol, para evitar hipoxemia durante o tratamento, pode ser feita por meio de nebulização com o oxigênio: 2,5 mg de salbutamol e 3 ml de soro fisiológico 0,9%. O objetivo é manter a SpO2 entre 94-98% em crianças e 93-95% em adultos.1,2

 

TERAPIA BRONCODILATADORA

A terapia com SABA é a principal medida para reverter a obstrução ao fluxo aéreo. Eles estimulam receptores beta-2 musculares das vias aéreas e provocam relaxamento brônquico. Seus principais efeitos adversos são taquicardia, tremor, hipopotassemia e hiperglicemia.11

O salbutamol inalatório pode ser administrado por pMDI com espaçador, nebulização com jato de ar ou nebulização com oxigênio (se a SpO2 estiver baixa). A dose inicial, de dois jatos de salbutamol (100 mcg cada) ou de 2,5 mg de solução de salbutamol para nebulização, pode ser repetida mais duas vezes na primeira hora e é suficiente para a maioria dos casos. Doses maiores podem ser necessárias em casos graves (até 6-10 jatos por dose).1,2 Crianças que, em três a quatro horas, não respondem satisfatoriamente ao tratamento devem ser hospitalizadas.

Outras opções para nebulização recomendadas nas Diretrizes Brasileiras de 2012 são o fenoterol e a terbutalina, na dose de 0,07-0,15 mg/kg (dose máxima 5 mg = 1 ml). O fenoterol também está disponível em spray, contendo 100 mcg/jato, recomendado na dose de um jato a cada 2-3 kg (até dez jatos).2

 

CORTICOIDE

Quando a resposta inicial ao tratamento broncodilatador não for satisfatória, recomenda-se iniciar prontamente corticoterapia sistêmica, por via oral (preferencialmente). Este medicamento acelera a reversão da obstrução e diminui o risco de recorrência da crise.2 A administração por via intravenosa não é melhor do que a oral e deve ser reservada para quando a via oral não é possível. A dose inicial em crianças é de 1-2 mg/kg de prednisolona (ou equivalente) por via oral ou 1 mg/kg de metilprednisolona intravenosa a cada 6 horas no primeiro dia. Na maioria delas, a corticoterapia mantida por um tempo curto - de três a cinco dias - costuma ser suficiente e pode ser interrompida abruptamente, sem necessidade de redução gradual da dose. Em adolescentes e adultos, este tratamento costuma ser prescrito por cinco a sete dias. A dose máxima diária recomendada é de 20 mg para menores de 2 anos, 30 mg entre 2-5 anos, 40 mg para maiores de 6-11 anos e 60 mg para adolescentes e adultos.1,2

Embora haja alguns estudos sobre benefício do tratamento com corticoide inalatório na asma aguda, seus resultados ainda são conflitantes e não há evidências suficientes para que sejam recomendados.1

 

DROGAS ALTERNATIVAS

Entre as drogas alternativas, que podem ser usadas criteriosamente em situações clínicas de maior gravidade, destacam-se:

a) brometo de ipratrópio - nas crises graves ou quando a resposta inicial ao SABA é insatisfatória, o brometo de ipratrópio, que é anticolinérgico, pode ser adicionado na dose de dois jatos (80 mcg cada) ou 250 mcg por nebulização, a cada 20 minutos, na primeira hora de tratamento na tentativa de melhor resposta e de evitar a internação;1,2,19

b) sulfato de magnésio - a administração de sulfato de magnésio pode ser considerada em crises muito graves, sem resposta ao tratamento inicial, com hipoxemia persistente, na expectativa de promover relaxamento da musculatura lisa brônquica e reduzir a resposta.1 As Diretrizes Brasileiras de Asma de 2012 recomendam seu uso intravenoso, em crianças a partir de 6 anos, com a expectativa de resposta terapêutica em uma a duas horas da infusão.2 É recomendado em uma única dose, de 25-75 mg/kg, máximo 2 g, IV, em 20-30 minutos. Este tratamento tem mostrado impacto na redução da necessidade de internação.21,22 O GINA 2017 cita ainda a opção de tratamento por via inalatória, 150 mg/dose, em três doses na primeira hora, para crianças de 2 anos ou mais.1 Embora estudos ainda mostrem resultados controversos, o uso do sulfato de magnésio isotônico por via inalatória adicionado ao tratamento-padrão parece promissor para crianças com crises mais graves.23,24 Uma revisão sistemática com metanálise recente mostra resultados mais claros de benefício com o tratamento intravenoso do que com o inalatório.25,26

 

Outros Tratamentos

Algumas drogas não são recomendadas atualmente no tratamento da asma na emergência por escassez de evidências de benefícios e/ou alto risco de efeitos adversos, como, por exemplo:

a) beta-2 agonista intravenoso - não há evidências que suportem a indicação de tratamento com beta-2 agonista intravenoso no tratamento de crianças nem de adultos;27

b) aminofilina ou teofilina - antes aceitas como opção terapêutica excepcional em casos refratários, com monitorização adequada e controle no nível sérico,2 atualmente seu uso é contraindicado devido à falta de eficácia e alto risco, com efeitos adversos potencialmente fatais, tanto em crianças quanto em adultos;1,28,29

c) adrenalina - não indicada no tratamento de rotina da asma. Pode ser usada por via intramuscular no tratamento de anafilaxia e angioedema, adicionada à terapia-padrão.1

 

REAVALIAÇÃO CLÍNICA E ALTA

Os pacientes devem ser rigorosamente reavaliados. A resposta ao tratamento na emergência é melhor indicador da necessidade de internação do que a gravidade da crise na admissão.10 Diante de casos graves sem sinais de resposta ao tratamento de emergência ou apresentando piora, a transferência para unidades de terapia intensiva não deve ser protelada.1,2

Para alta o paciente deve estar estável, conseguindo falar, beber e comer sem dificuldades.

 

COMENTÁRIOS

É importante a reavaliação posterior à alta e o seguimento ambulatorial para garantir a resolução do quadro atual e facilitar o controle da asma, evitando novos episódios de exacerbação. O atendimento na emergência é uma oportunidade de rever o entendimento em relação ao tratamento, à técnica do uso de medicações e à adesão.30

Se necessários, ajustes iniciais no tratamento de manutenção podem ser feitos já na alta ou até mesmo o início de tratamento com corticoide inalatório naqueles pacientes ainda sem acompanhamento.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O tratamento adequado de manutenção da asma é fundamental para prevenir as exacerbações. Todo paciente em seguimento deve ter um plano de ação prescrito pelo médico para reconhecer a exacerbação da asma, iniciar seu tratamento e identificar a necessidade de procurar auxílio médico de emergência.

Na chegada à emergência é fundamental avaliar a gravidade do quadro e hospitalizar imediatamente pacientes com risco de morte por asma. A intensidade do tratamento na emergência também dependerá da gravidade do quadro. Medidas iniciais mais frequentes incluem o uso de salbutamol inalatório, oxigenoterapia por máscara ou cânula nasal (para pacientes com SpaO2 < 92%) e corticoide sistêmico.

A avaliação clínica deve ser rigorosa, com reavaliações repetidas principalmente durante as primeiras horas na emergência. Diante de sinais de piora ou de resposta inadequada ao tratamento da emergência, o paciente deve ser hospitalizado em unidade de terapia intensiva (UI ou UTI).

Quando a resposta for satisfatória ao tratamento, o paciente deve ser liberado com prescrição para continuar o tratamento da crise e, se necessário, com modificação ou início do tratamento de manutenção.

A avaliação da adesão ao tratamento e da técnica adequada do uso das medicações é fundamental. A reavaliação médica para seguimento clínico deve ser realizada em um a sete dias após a alta.

 

REFERÊNCIAS

1 Global Initiative for Asthma. Global Strategy for Asthma Management and Prevention. 2017. Available in: http://ginasthma.org/2017-gina-report-global-strategy-for-asthma-management-and-prevention/. Access in: Nov 13, 2017.

2 Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o Manejo da Asma. J Bras Pneumol. 2012;38(supl 1):s1-46.

3 Global Asthma Network. The Global Asthma Report 2014. Available in: http://www.globalasthmareport.org/resources/Global_Asthma_Report_2014.pdf. Access in: Nov 13, 2017.

4 Costa E, Bregman M, Araujo DV, Costa CH, Rufino R. Asthma and the socio-economic reality in Brazil. World Allergy Organ J. 2013;6(1):20.

5 Kuschnir FC, Gurgel RQ, Solé D, Costa E, Félix MMR, de Oliveira CL et al. ERICA: prevalence of asthma in Brazilian adolescents. Rev Saúde Pública. 2016;50(suppl 1):13s.

6 Solé D, Aranda CS, Wandalsen GF. Asthma: epidemiology of disease control in Latin America - Short review. Asthma Res Pract. 2017;3:4.

7 Rodrigo GJ, Moral VP, Forns SB, Castro-Rodríguez JA, Damiá AD, Cortés SL et al. Guía ALERTA 2. América Latina y España: recomendaciones para la prevención y el tratamiento de la exacerbación asmática. Arch Bronconeumol. 2010;46(supl 7):2-20.

8 Solé D, Camelo-Nunes IC, Andalsen GF, MAllozi MC. A asma na criança e no adolescente brasileiro: contribuição do International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC). Rev Paul Pediatr. 2014;32(1):114-25.

9 Ministério da Saúde. Blog da Saúde. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/. Acesso em: 13 nov. 2017.

10 Camargo Jr CA, Rachelefsky G, Schatz M. Managing asthma exacerbations in the emergency department: summary of the National Asthma Education and Prevention Program Expert Panel Report 3 Guidelines for the management of asthma exacerbations. J Emerg Med. 2009;37(2 suppl):s6-17.

11 Kling S, Zar HJ, Levin ME, Green RJ, Jeena PM, Risenga SM et al. Guideline for management of acute asthma in children: 2013 update. S Afr Med J. 2013;103(3 pt 3):199-207.

12 Roncada C, Oliveira SG, Cidade SF, Rafael JG, Ojeda BS, dos Santos BRL et al. Mitos populares e características do tratamento da asma em crianças e adolescentes de zona urbana do sul do Brasil. J Bras Pneumol. 2016;42(2):136-42.

13 Kew KM, Quinn M, Quon BS, Ducharme FM. Increased versus stable doses of inhaled corticosteroids for exacerbations of chronic asthma in adults and children. Cochrane Database Syst Rev. 2016;7(6):CD007524.

14 Wang X, Zhou J, Zhao X, Yi X. Montelukast treatment of acute asthma exacerbations in children aged 2 to 5 years: a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Pediatr Emerg Care. 2017. doi: 10.1097/PEC.0000000000001184. [Epub ahead of print]

15 British Thoracic Society. British Guideline on the Management of Asthma. Thorax 2008;63:iv1-iv121.

16 Gouin S, Robidas I, Gravel J, Guimont C, Chalut D, Amre D. Prospective evaluation of two clinical scores for acute asthma in children 18 months to 7 years of age. Acad Emerg Med. 2010;17(6):598-603.

17 Laita JAC, Férnandez DB, Montaner AE, Fernández Benítez M, García de la Rubia S, Garde J et al. Consensus Statement on Paediatric Asthma. Update 2007. Allergol Immunopathol 2008;36(1):31-52.

18 Narayanan S, Magruder T, Walley SC, Powers T, Wall TC. Relevance of chest radiography in pediatric inpatients with asthma. J Asthma. 2014;51(7):751-5.

19 Griffiths B, Ducharme FM. Combined inhaled anticholinergics and short-acting beta2-agonists for initial treatment of acute asthma in children. Cochrane Database Syst Rev. 2013;8:CD000060.

20 Vézina K, Chauhan BF, Ducharme FM. Inhaled anticholinergics and short-acting beta(2)-agonists versus short-acting beta2-agonists alone for children with acute asthma in hospital. Cochrane Database Syst Rev. 2014;31(7):CD010283.

21 Griffiths B, Kew KW. Intravenous magnesium sulfate for treating children with acute asthma in the emergency department. Cochrane Database Syst Rev. 2016;4:CD011050.

22 Irazuzta JE, Chiriboga N. Magnesium sulfate infusion for acute asthma in the emergency department. J Pediatr (Rio J) 2017.

23 Powell CV, Kolamunnage-Dona R, Lowe J, Boland A, Petrou S, Doull I et al. MAGNEsium Trial in Children (MAGNETIC): a randomized, placebo-controlled trial and economic evaluation of nebulized magnesium sulfate in acute severe asthma in children. Health Technol Assess. 2013;17(45):v-vi,1-216.

24 Turker S, Dogru M, Yildiz F, Yilmaz SB. The effect of nebulized magnesium sulphate in the management of childhood moderate asthma exacerbations as adjuvant treatment. Allergol Immunopathol (Madr). 2017;45(2):115-20.

25 Su Z, Li R, Gai Z. Intravenous and nebulized magnesium sulfate for treating acute asthma in children: a systematic review and meta-analysis. Pediatr Emerg Care. 2016.

26 Daengsuwan T, Watanatham S. A comparative pilot study of the efficacy and safety of nebulized magnesium sulfate and intravenous magnesium sulfate in children with severe acute asthma. Asian Pac J Allergy Immunol. 2017;35(2):108-12.

27 Travers AH, Milan SJ, Jones AP, Camargo CA Jr, Rowe BH. Addition of intravenous beta(2)-agonists to inhaled beta(2)-agonists for acute asthma. Cochrane Database Syst Rev. 2012;12:CD010179.

28 Nair P, Milan SJ, Rowe RH. Addition of intravenous aminophylline to inhaled beta2-agonists in adults with acute asthma. Cochrane Database Syst Rev. 2012;12:CD002742.

29 Cooney L, Sinha I, Hawcutt D. Aminophylline dosage in asthma exacerbations in children: a systematic review. PLoS One. 2016;11(8):e0159965.

30 Martin MA, Press VG, Nyenhuis SM, Krishnan JA, Erwin K, Mosnaim G et al. Care transition interventions for children with asthma in the emergency department. See comment in PubMed Commons belowSee comment in PubMed Commons belowJ Allergy Clin Immunol. 2016;138(6):1518-25.


POR:

Mônica Firmida1;
Daniela Borgli2

    Introdução A Síndrome de Down é uma condição genética causada pela trissomia do cromossomo 21 e que leva a uma distribui...

A aquisição da motricidade em crianças portadoras de Síndrome de Down que realizam fisioterapia ou praticam equoterapia

 

 

Introdução

A Síndrome de Down é uma condição genética causada pela trissomia do cromossomo 21 e que leva a uma distribuição cromossômica inadequada durante a fase de meiose (1). Cada célula do individuo normal possui 46 cromossomos, estes estão divididos em 23 pares; no portador da Síndrome de Down, o par de número 21 possui um cromossomo a mais, resultando em 47 cromossomos (2).

É esperado atraso no desenvolvimento motor em indivíduos com Síndrome de Down (3). Em indivíduos normais, ao nascimento, o Sistema Nervoso Central (SNC) ainda não está completamente desenvolvido, portanto ele é capaz de perceber o mundo apenas por meio dos sentidos; esse caso, os estímulos do meio externo são capazes de alterar o SNC, permitindo a evolução do indivíduo em um processo de aprendizagem que oportuniza melhor adaptação ao meio em que vive. Já no individuo com Síndrome de Down, esse desenvolvimento depende da biologia, do comportamento e do ambiente e não apenas da maturação do sistema nervoso (4).

As informações provenientes do sistema vestibular, dos receptores visuais e do sistema somatossensorial que envolvem a recepção dos estímulos e sua integração contribuem para o desenvolvimento do equilíbrio estático e dinâmico nos indivíduos que, com base nessas informações, irão adaptar-se para aquisição de marcos motores (5).

O tratamento fisioterapêutico está voltado para a elaboração de propostas que estejam de acordo com as necessidades do paciente e com os problemas referentes aos ajustes posturais frequentes na Síndrome de Down, como os atrasos motores - principalmente o sentar e o ficar em pé. Dessa maneira, a fisioterapia se propõe realizar treino de marcha, mudanças transposturais, equilíbrio estático e dinâmico mediante técnicas e recursos específicos em solo (6). Na equoterapia, os movimentos tridimensionais proporcionados pela andadura do cavalo despertam no corpo do praticante, portador de necessidades especiais, uma grande quantidade de estímulos sensoriais e neuromusculares que vão interferir diretamente no desenvolvimento global e na aquisição de habilidades motoras, facilitando a construção de uma vida social produtiva, por meio da realização independente das atividades de vida diária, laborais, de lazer e esportivas (7).

Cavalgar é por si só um estímulo para o equilíbrio, mas algumas manobras podem ser utilizadas para aumentar a quantidade de estímulos: pode-se pedir ao praticante que feche os olhos, retire os pés do estribo, faça exercícios com os membros superiores; fique de pé sobre o estribo; fique ajoelhado em decúbito dorsal ou ventral sobre o dorso do cavalo, realize um volteio ou faça o cavalo andar e parar várias vezes (8).

Os objetivos do trabalho foram verificar a aquisição de marcos motores em crianças portadoras de Síndrome de Down que realizam a equoterapia e fisioterapia convencional, e descrever as seguintes variáveis: aquisição de marcos motores, equilíbrio estático, equilíbrio dinâmico, força muscular e tempo de tratamento. A hipótese que norteia esta pesquisa é que os indivíduos que obtiveram aquisição de marcos motores primeiramente apresentam melhor equilíbrio estático e dinâmico.

 

Materiais e métodos

Este estudo é do tipo transversal e foi resultado do projeto aprovado pela Comissão de Ética da Universidade Cruzeiro do Sul (Protocolo n. 005/2010). Os responsáveis pelas crianças participantes concordaram e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecimento, autorizando a publicação dos dados fornecidos pelos eles, com fins acadêmicos de aprofundamento científico. Todos os indivíduos foram avaliados no mês de abril de 2010.

Os dados foram coletados no Regimento de Policia Montada 9 de Julho (RPMON) e na Associação de Pais e Amigos de Excepcionais em Mogi das Cruzes (Apae) e foi autorizado pelos representantes legais dos locais. A amostra foi constituída por crianças portadoras de Síndrome de Down de ambos os sexos, com idade entre 4 a 13 anos.

Foram selecionadas 33 crianças que já faziam o tratamento fisioterapêutico convencional ou equoterapia desde 1 ano de idade, no mesmo local com, no mínimo, 3 anos de acompanhamento de cada grupo antes da avaliação inicial da pesquisa. No Grupo 1, foram incluídas 19 crianças que realizaram a equoterapia no RPMON; já no Grupo 2 participaram 14 crianças que realizavam a fisioterapia convencional no solo na APAE de Mogi das Cruzes. Foram excluídos os indivíduos com diagnóstico de instabilidade atlanto-axial e os indivíduos que realizavam outros tipos de tratamento fisioterapêutico de diferentes técnicas não propostas nos critérios de inclusão desta pesquisa ou que apresentavam alguma alteração cognitiva impedindo a realização dos testes propostos.

A avaliação foi realizada uma única vez pelos próprios pesquisadores, que se valeram de um questionário biopsicossocial, da escala de desenvolvimento motor (EDM) e da escala de força de Daniels. Os pesquisadores ainda elaboraram questionário contendo dados pessoais, peso, altura, idade em meses em que cumpriu todas as etapas do desenvolvimento motor (rolar, sentar, ajoelhar, semiajoelhar, ficar em pé e marchar) e as doenças associadas.

Inicialmente foi aplicado, pelo mesmo avaliador, um questionário biopsicossocial, elaborado para a pesquisa, contendo 30 questões relativas aos dados da criança (data de nascimento, gênero); condições ligadas à gestação (duração da gravidez); condições ligadas ao nascimento da criança (tipo de parto, peso e altura); condições ligadas ao desenvolvimento neuropsicomotor (idade em que adquiriu controle cervical, sedestação, rolamento, quatro apoios, postura de semiajoelhado e ajoelhado, engatinhamento, ortostatismo, e marcha sozinha); condições clínicas (se apresentavam alteração visual, auditiva, instabilidade atlanto-axial e alteração postural); e condições relacionadas ao tipo de tratamento que realiza (equoterapia ou fisioterapia).

Em seguida, realizou-se o procedimento de avaliação utilizando a Escala do Desenvolvimento Motor (EDM) seguindo a sequência da aplicação descrita por Rosa (9). Essa escala tem o propósito de colocar à disposição de profissionais da saúde e da educação um conjunto de instrumentos de diagnóstico que lhes permite utilizar um método eficaz para realizar estudos transversais e longitudinais com o uso de provas/tarefas construídas sobre princípios técnicos, científicos práticos e coerentes. Consideram-se nesse escala as seguintes variáveis: motricidade fina, motricidade global, equilíbrio estático, esquema corporal, organização espacial e linguagem e organização temporal.

O teste consiste em realizar atividades motoras conforme a idade cronológica a partir de 2 anos. A partir de cada tarefa cumprida de acordo com o resultado positivo ou negativo obtém-se a idade motora (IM), fator que possibilita calcular o quociente motor geral (QMG) de cada variável, valendo-se da equação QMG = IMG / IC × 100, em que IMG = idade motora geral, e IC = idade cronológica. Para a classificação dos resultados da escala EDM, foram considerados os seguintes escores para o QMG: 130 ou mais equivale a muito superior; 120-129, superior; 110-119, normal alto; 90-109, normal médio; 80-89. normal baixo; 70-79, inferior; 69 ou menos, muito inferior.

Em seguida, realizaram-se duas baterias de testes para motricidade global e equilíbrio estático; para isso utilizou-se a EDM, de Rosa (9), a fim de determinar a idade motora obtida com base nos pontos alcançados nos testes e o quociente motor obtido, como mencionado anteriormente, pela divisão da idade motora geral pela idade cronológica multiplicada por 100. Os testes consistem em dez tarefas motoras cada, distribuídas entre 2 e 11 anos, organizadas progressivamente em grau de complexidade, sendo atribuído para cada tarefa, em caso de êxito, um valor correspondente à IM, expressa em meses. Em cada bateria, o teste é interrompido quando a criança não conclui a tarefa com êxito, conforme protocolo. Ao final da aplicação, dependendo do desempenho individual em cada bateria, é atribuída à criança uma determinada idade motora em cada uma das áreas referidas anteriormente (IM1, IM2); depois, é calculada a IMG e QMG da criança. No último momento da avaliação foi utilizada a escala de força de Daniels para quantificar os graus de força muscular de cada criança; atribui-se zero quando não há contração muscular e 5 quando a força muscular é suficiente para vencer a gravidade e uma força mecânica externa. Foi avaliada a força de membros superiores e membros inferiores.

Para avaliar a motricidade global (equilíbrio dinâmico) foram necessários materiais que os pesquisadores disponibilizaram durante as duas baterias de testes para motricidade global e equilíbrio estático, visando à realização dos testes que consistem em dez tarefas motoras; foi utilizado, por exemplo, um banquinho de 15 cm onde o participante realiza o teste de equilíbrio dinâmico - subir no banco e descer (2 anos). Outros materiais foram utilizados com o proposito de testar o equilíbrio, como uma corda de 2 m, caixa de fosforo, cronometro.

As tarefas propostas foram: (a) com os pés juntos, saltar por cima de uma corda estendida sobre o solo, sem impulso, pernas flexionadas (3 anos); (b) saltar, sete ou oito vezes sucessivas, sobre o mesmo lugar com as pernas ligeiramente flexionadas (4 anos); (c) com os pés juntos, saltar sem impulso uma altura de 20 cm, sobre uma corda estendida em dois suportes a uma altura de 20 cm (5 anos); (d) com os olhos abertos, percorrer 2 m em linha reta, posicionando alternadamente o calcanhar de um pé contra a ponta do outro (6 anos); (e) com os olhos abertos, saltar ao longo de uma distância de 5 m com a perna esquerda, a direita flexionada em ângulo reto com o joelho, os braços relaxados ao longo do corpo e após um descanso de 30 segundos, realizar o mesmo exercício com a outra perna (7 anos); (f) com os pés juntos, saltar sem impulso uma altura de 40 cm sobre uma corda fixada a uma altura 40 cm (8 anos); (g) saltar no ar, flexionar os joelhos para tocar os calcanhares com as mãos (9 anos); (h) com joelho flexionado em ângulo reto, braços relaxados ao longo do corpo, levar uma caixa de fósforos colocada a 25 cm do pé que repousa no solo até um ponto situado a 5 metros impulsionando-a com o pé (10 anos); (i) saltar sobre uma cadeira de 45 cm a 50 cm com uma distância de 50 cm da mesma enquanto o avaliador sustenta o encosto da cadeira (11 anos).

Na avaliação do equilíbrio estático, foram utilizados os mesmos materiais e um cronômetro, para marcar o tempo de 10 segundos para cada etapa. As atividades propostas foram (a) manter-se imóvel sobre um banco de 15 cm de altura, pés juntos, braços relaxados ao longo do corpo (2 anos); (b) com os braços ao longo do corpo e pés juntos, apoiar um joelho no chão sem mover os braços ou o outro pé; (c) manter essa posição com o tronco ereto (sem sentar-se sobre o calcanhar) e após 20 segundos de descanso repetir do outro lado (3 anos); (d) com os olhos abertos, pés juntos, mãos apoiadas nas costas, flexionar o tronco em ângulo reto e manter essa posição por 10 segundos (4 anos); (e) manter-se sobre a ponta dos pés, olhos abertos, braços ao longo do corpo, pés e pernas juntos (5 anos); (f) com os olhos abertos, manter-se sobre a perna direita enquanto a outra permanece flexionada em ângulo reto, coxa paralela à direita e ligeiramente em abdução, braços ao longo do corpo (6 anos); (g) manter-se sobre o pé esquerdo, a planta do pé direito apoiada na face interna do joelho esquerdo, mãos fixadas nas coxas, olhos abertos, repetir do outro lado. (7 anos); (h) de cócoras, braços estendidos lateralmente, olhos fechados, calcanhares e pés juntos (8 anos); (i) com os olhos abertos, mãos nas costas, elevar-se sobre as pontas dos pés e flexionar o tronco em ângulo reto (pernas retas) (9 anos); (g) manter-se sobre a ponta dos pés, olhos fechados, braços ao longo do corpo, pés e pernas juntas (10 anos); (h) com os olhos fechados, manter-se sobre a perna direita, o joelho esquerdo flexionado em ângulo reto, coxa esquerda paralela à direita e em ligeira abdução, braços ao longo do corpo (11 anos).

Os dados da EDM (8, 9) foram tabulados no programa Excel, versão 97-2003. Os dados das variáveis quantitativas referentes à idade cronológica, idade de aquisição dos marcos motores e o tempo de tratamento foram analisados de forma descritiva com média e desvio padrão e com valor de significância de p < 0,05.

A partir das variáveis quantitativas do coeficiente motor e do equilíbrio dinâmico e aquisição de marco motor, foi possível fazer a Correlação de Pearson. O teste t ou ANOVA seguido de post hoc de Bonferroni foram utilizados para verificar a diferença das variáveis numéricas entre as variáveis categóricas estudadas, tendo como valor de significância p > 0,05. Não houve perda amostral.

Segundo o critério de exclusão, referente à alteração cognitiva, apenas dois praticantes de equoterapia não puderam participar do presente estudo.

 

Resultados

Os resultados obtidos no presente estudo, referentes à composição da amostra de 33 crianças portadoras de Síndrome de Down com faixa etária da amostra total variando entre 4 a 13 anos (± 7,72), divididas em dois grupos, foram os seguintes: Grupo 1 (equoterapia), composto por 19 crianças, teve média de idade de 7,73 (± 2,25); e Grupo 2 (fisioterapia convencional), constituído de 14 crianças, teve média de idade de 7,71 (± 1,43). Quanto ao gênero na amostra total, 19 (58,52%) crianças eram do gênero masculino e 14 (41,18%), do gênero feminino; constatou-se que nos dois grupos o gênero masculino teve maior percentual, com 10 indivíduos no Grupo 1 (52,63%) e 9 (64,29%) no Grupo 2.

Referente ao número de crianças que apresentaram escoliose, seis (18,18%) tinham alguma alteração, cinco (26,32%) delas realizavam equoterapia e somente uma (0,14%) criança que fazia fisioterapia de solo apresentou essa alteração. O comprometimento cardíaco esteve presente em seis (18,18%) crianças na amostra total; quatro (21,05%)  delas praticavam equoterapia e duas (14,28%)  realizavam fisioterapia.

Referente à acuidade visual, a maior parte da amostra referiu apresentar deficiência; das 33 crianças, 18 (54,55%) apresentam alguma alteração e 15 (45,45%) relataram não apresentar nenhum problema de visão; porém, quando realizamos a f (frequência), notou-se que entre as 19 crianças que faziam equoterapia, nove (47,37%) apresentavam algum tipo de alteração visual, já entre as crianças que realizavam a fisioterapia, nove (64,29%) apresentam deficit visual.

A alteração auditiva esteve presente em cinco (15,15%) crianças na amostra total, duas (10,52%) delas praticavam equoterapia e três  (21,42%) estavam no grupo fisioterapia.

Em relação à utilização da órtese, em toda a amostra esse item foi muito insignificante, uma vez que apenas uma criança (3,03%), do grupo equoterapia, faz uso da mesma.

A respeito do tempo de tratamento, expresso em meses, observou-se que as crianças que realizam fisioterapia obtiveram um maior tempo de tratamento, 27 (± 10,80), ao passo que o grupo equoterapia apresentou 18,10 ± (11,13), p = 0,04.

Efetivou-se análise descritiva das aquisições motoras (controle cervical, rolamento, transição deitado para sentado, ortostatismo e marcha) e valor de p obtido entre os níveis de adesão (amostra total, equoterapia e fisioterapia) descritos na Tabela 1. A idade é expressa em anos. O valor de T foi aplicado para os grupos equoterapia e fisioterapia. Foi possível observar que quase todas as aquisições das etapas motoras ocorreu primeiramente nos indivíduos que realizavam fisioterapia, exceto o rolamento que se iniciou primeiramente em crianças que realizam a equoterapia. E apenas o ortostatismo apresentou significância estatística p = 0,04.

Conforme a Tabela 2 verificou-se uma correlação moderada entre QMG do equilíbrio dinâmico e rolamento no grupo fisioterapia, pois se trata de uma correlação inversamente proporcional, tendo maior relevância em nosso estudo. Quanto à correlação entre QMG do equilíbrio dinâmico e ortostatismo, houve uma correlação forte.

De acordo com a Tabela 3, verifica-se que tanto o equilíbrio estático como o dinâmico, encontra-se melhor em relação à modalidade terapêutica fisioterapia, no grupo que realizou fisioterapia, tendo como referência os valores dos escores QMG. O grupo equoterapia foi considerado normal baixo para equilíbrio estático, e muito inferior para equilíbrio dinâmico, já o grupo fisioterapia foi normal médio para equilíbrios estático e dinâmico testados.

 

Discussão

Considerando os fatores relacionados à motricidade avaliados com base na Escala EDM, observa-se que o equilíbrio dinâmico e estático variou de inferior à normal médio, conforme os escores obtidos. Quanto aos resultados encontrados referentes aos marcos motores observou-se que há um atraso importante no desenvolvimento motor em 100% da amostra. As crianças que participaram desta pesquisa apresentaram algumas características normalmente esperadas em pacientes portadores de Síndrome de Down, entre elas estão: a hipotonia e a alteração quanto à acuidade visual. Porém, algumas características da amostra do estudo contradizem a literatura, sendo elas alteração postural, acuidade auditiva e o comprometimento cardíaco.

O desenvolvimento motor é um processo contínuo e demorado e, pelo fato de as mudanças mais acentuadas ocorrerem nos primeiros anos de vida, existe uma tendência em se considerar o aprendizado do desenvolvimento motor como sendo apenas o estudo da criança, basicamente pela aquisição, estabilização e diversificação das habilidades básicas (10). De modo geral, apesar dos baixos resultados motores atingidos pelas crianças com Síndrome de Down, as pesquisas mostram que programas de estimulação precoce e intervenção são capazes de fazê-las atingir níveis motores mais satisfatórios (11, 12).

O controle cervical é a primeira aquisição motora de um recém-nascido com desenvolvimento neuropsicomotor normal; a criança normal, ao ser colocada em decúbito ventral, consegue levantar a cabeça e manter a posição durante alguns segundos; entretanto, somente aos 4 meses, se colocada sentada é capaz de manter a cabeça firme (13). Já as crianças investigadas neste estudo alcançaram o controle cervical em média aos 7,09 meses na amostra geral (Tabela 1). Isso provavelmente se deve ao fato de que a criança com Síndrome de Down, ao nascimento, apresenta fraqueza da musculatura do pescoço, não conseguindo vencer a força da gravidade e dificultando o posicionamento estático de sua cabeça. Esse atraso, portanto, tem relação com o tônus hipotônico do recém-nascido, que adota posturas em extensão quando em supino, em vez de assumir postura flexora, característica do recém-nascido a termo (13).

O rolamento em uma criança normal inicia-se por volta dos 5 meses (14), ao passo que no presente estudo, a idade média para a mesma aquisição motora foi de 10,09 meses.

O sentar independente ocorre em média aos 10 meses de idade em crianças com desenvolvimento motor normal, enquanto que Pueschel (14) estima que o sentar inicia-se geralmente aos 9 meses nessas crianças; para as crianças desta pesquisa a média para a aquisição do sentar foi de 14,54 meses. Tal fato pode ser explicado pelo processo de maturação que está relacionado com o grau de mielinização, arborização e formação de sinapses das células nervosas do Sistema Nervoso Central, que aos poucos inibem as atividades reflexas primitivas, passando para uma fase de transição e, por último, assumindo o controle voluntário dessa atividade, com o desenvolvimento das reações de retificação, proteção e equilíbrio (16). Corroborando essa afirmação, a capacidade do bebê e da criança em realizar diferentes atividades cada vez mais complexas requer uma integração sensorial (IS) e motora durante os primeiros anos de vida, a mielinização do córtex proporciona ganho progressivo do controle motor (17).

Para que o desenvolvimento motor ocorra, a criança precisa passar por momentos de experimentação e erro, aprimorando as habilidades motoras; assim, o tratamento equoterápico tem grande influência nesse aspecto, uma vez que na equoterapia observa-se um ajuste tônico, marcado pelo movimento automático de adaptação ritmado, o que facilita as informações proprioceptivas (18). Apesar de o equilíbrio ter sido mais evidenciado na fisioterapia do que na equoterapia, notou-se nos testes que as crianças que fazem equoterapia apresentam ajustes posturais e reações adaptativas mais rápidas, porém não tão eficazes.

A passagem de sentado para em pé geralmente ocorre por volta dos 8 ou 10 meses de idade em crianças normais (3); nesta pesquisa, entre as crianças com Síndrome de Down, essa transição postural foi observada somente aos 11 meses. No presente estudo, a faixa etária de aquisição para a posição bípede foi de 20,66 meses aproximadamente (19).

A criança deve ser treinada para a posição em pé desde a baixa idade, quando houver riscos de apresentar atraso no desenvolvimento motor, para que aprenda a produzir e controlar as forças musculares, assim como dominar os efeitos da interação de rotação de membros. O ato de ficar em pé torna-se, então, equilibrado e econômico em relação ao consumo de energia (6). No estudo, observou-se que a idade de inicio para o ortostatismo foi menor no grupo fisioterapia, ficando comprovado estatisticamente um melhor escore quanto ao equilíbrio dinâmico.

A postura em pé favorece novas experiências, enviando ao SNC as informações da postura correta; a partir daí, o corpo é alinhado biomecanicamente por meio dos ajustes posturais (20). Entretanto, essa afirmativa mostra a importância da quantidade e da qualidade dos estímulos dados a essas crianças tanto em uma terapia convencional como na equoterapia. Corroborando esse dado, o fato de as crianças repetirem e praticarem as atividades motoras durante a sua movimentação espontânea de interação com o meio ambiente contribui para a formação dos mecanismos plásticos do SNC e reforça seus engramas motores para a função (21). Embora crianças sejam capazes de manter a posição ereta a partir de 1 ano, a manutenção dessa posição parece ser continuamente refinada ao longo da primeira década de vida (22) e o deficit de equilíbrio na criança com Síndrome de Down é importante e pode persistir até a adolescência (23). Tal fato pode justificar o baixo escore obtido no equilíbrio estático das crianças que fizeram parte do estudo, uma vez que a posição ortostática depende de ajustes e estratégias posturais.

O deficit de equilíbrio pode ser explicado pelo fato de crianças com Síndrome de Down oscilarem por causa da dificuldade em captar as informações sensoriais que determinam a posição do corpo no espaço e a velocidade com que o corpo está se movendo (24). No presente estudo, observou-se que a maior parte das crianças apresentou alteração visual, assim confirmando a literatura, sabe-se que para um bom controle postural é necessária a integração harmônica dos três sistemas (visual, vestibular e somatossensitivo), e no estudo evidenciou-se que essa interação não está ocorrendo. Um estudo realizado em 2005 avaliou indivíduos portadores de deficiência visual e indivíduos com visão normal, em uma plataforma de força. Os autores observaram que os deficientes visuais apresentaram maior oscilação laterolateral, porém no sentido anteroposterior não observaram diferença significativa entre os grupos (25). Sendo assim, o equilíbrio dinâmico também se encontra alterado, pois essa oscilação impede que ocorra um bom desempenho no movimento.

Apesar de a fisioterapia convencional ter se mostrando eficiente em relação ao equilíbrio, notou-se que o ambiente tem grandes influências na terapia, como pode ser observado pelos pesquisadores do estudo e relatado pelos responsáveis, as crianças que realizam equoterapia apresentaram uma maior interação entre o ambiente, o animal e o terapeuta adquirindo uma melhor sociabilização. Já nas sessões de fisioterapia convencional, geralmente o tratamento é individualizado, o contato é apenas entre terapeuta e paciente.

A aquisição da marcha independente inicia-se geralmente aos 13 meses em uma criança neurologicamente normal, ao passo que em indivíduos com Síndrome de Down, a marcha inicia-se por volta dos 20 meses (14), sendo que no estudo verificou-se que a idade para aquisição da marcha foi de 26,42 meses.

A fisioterapia normalmente centra-se na mobilidade, inclusive na pré-marcha, como dar impulso da posição ajoelhada para em pé (26). Possivelmente essa seja a razão para a fisioterapia ter apresentado melhor desempenho em relação ao equilíbrio dinâmico.

A hiperfrouxidão ligamentar com a hipotonia resulta na falta de rotação de tronco, e consequentemente no atraso e na imaturidade da aquisição da marcha, legitimando o deficit de equilíbrio dinâmico presente nesses indivíduos do estudo (19). O estudo relatou que a eficiência dinâmica da marcha é resultado da integração sensorial dos sistemas visual, vestibular, somatossensitivo, tátil e da força muscular adequada, boa mobilidade articular e controle neuromuscular eficiente. A manutenção do equilíbrio é adquirida segundo um conjunto de mecanismos interligados, tais como elasticidade dos ligamentos, tendões e músculos que proporcionam estabilização das articulações (27, 28). Com isso, o equilíbrio dinâmico torna-se ineficaz como comprovado no estudo.

Os deficit do controle motor juntamente e da força muscular podem ser os principais fatores responsáveis pelo atraso da aquisição da deambulação independente do portador da Síndrome de Down. A falta de controle do tronco dificulta a aquisição do equilíbrio (6). Nos indivíduos que fizeram parte do estudo, a força muscular variou entre 4 e 5; no entanto, não houve significância quando comparado ao equilíbrio dinâmico ou estático.

No presente estudo, observou-se que os indivíduos do grupo que realizou fisioterapia convencional o tempo de tratamento foi maior do que no grupo que realizou equoterapia e o equilíbrio dinâmico foi significante no grupo que realizou fisioterapia; isso demonstra que essa modalidade de fisioterapia rea­lizada por um período de tempo longo influencia positivamente na aquisição do equilíbrio dinâmico.

Em um estudo sobre os benefícios da equoterapia no desenvolvimento motor de uma criança portadora de Síndrome de Down, compararam-se a avaliação pré e a pós-tratamento; notou-se melhora no equilíbrio a partir da décima sessão de equoterapia, porém não chegando ao que seria normal para a sua idade cronológica (29). Desse modo, pode-se mencionar a relação entre custo e beneficio, pois a equoterapia é uma modalidade com custo elevado, sendo realizada apenas uma sessão por semana, conforme relatado pelos responsáveis das instituições onde ocorreu o estudo. Já a fisioterapia, além de ser realizada por um tempo maior de tratamento, permite duas ou mais sessões por semana. Constatou-se, ao longo desta pesquisa, que os indivíduos portadores de Síndrome de Down possuem várias deficiências motoras, atraso no desenvolvimento motor e neurológico, hipotonia muscular, diminuição de força muscular, e deficit de equilíbrio estático e dinâmico, entre outros distúrbios que influenciam no convívio social.

Sugerimos novos estudos com protocolos de tratamento e acompanhamento longitudinal a fim de investigar possíveis benefícios da equoterapia e da fisioterapia convencional.

 

Conclusão

Na amostra composta por crianças com Síndrome de Down, todos apresentaram atraso no desenvolvimento motor. A equoterapia e a fisioterapia convencional influenciaram na aquisição de marcos motores em portadores de Síndrome de Down; em ambos os grupos houve melhora nesse aspecto, sendo mais evidente no grupo da fisioterapia.

Considerando o equilíbrio estático e o dinâmico e tendo como referencia os valores dos escores QMG, o grupo 1 da equoterapia foi considerado normal baixo para equilíbrio estático e muito inferior para equilíbrio dinâmico; o grupo fisioterapia, por sua vez, foi considerado normal médio para ambos os equilíbrios estáticos e dinâmicos testados.

O tempo de tratamento do grupo de fisioterapia foi maior que o grupo de equoterapia.

Na avaliação da força muscular com uso da escala de Daniels, todos apresentaram força de 4 e 5 considerando boa e excelente para o grupo estudado.

 

Referências

1. Schwartzman SJ. Síndrome de Down. São Paulo: Editora Mackenzie; 2000.         [ Links ]

2. Barreto F, Gomes G, Silva IAS, Gomes LM. Proposta de um programa multidisciplinar para portador de Síndrome de Down, através de atividades da equoterapia, a partir dos princípios da motricidade humana. Rev Fit Perf J. 2007;6(2):82-8.         [ Links ]

3. Shepherd RB. Desenvolvimento da motricidade da habilidade motora. In: Shepherd RB, organizador. Fisioterapia pediátrica. 2. ed. São Paulo: Santos; 1998. p. 9-42.         [ Links ]

4. Bonvicine C, Quibáo EF, Silva PN, Asa SKP, Gaetan ESM. Aquisição do controle de cabeça em lactentes nascidos pré-termo e a termo. Fisioter pesqui. 2005;12(2):45-50.         [ Links ]

5. Allison L, Fuller K. Equilíbrio e desordens vestibulares. In: Umphred DA, organizador. Reabilitação neurológica. 4. ed. Barueri: Manole; 2004. p. 648-95.         [ Links ]

6. Shepherd, RB. Fisioterapia em Pediatria. 3. ed. São Paulo: Santos; 2006.         [ Links ]

7. Medeiros M, Dias E. Equoterapia: bases e fundamentos. Rio de Janeiro: Revinter; 2002.         [ Links ]

8. Uzun ALL. Equoterapia: aplicação em distúrbios do equilíbrio. São Paulo: Vetor; 2005.         [ Links ]

9. Rosa F Neto. Manual de avaliação motora. Porto Alegre: Artmed; 2002.         [ Links ]

10. Tani G, Manoel EJ, Kokubun E, Proença JE. Educação Física escolar: fundamentos de uma abordagem desenvolvimentista. São Paulo: E.P.U.; 1988.         [ Links ]

11. Lorenzini M. Brincando a brincadeira com a criança deficiente. Barueri: Manole; 2002.         [ Links ]

12. Sanches PA, Martinez MR, Peñalver IV. A psicomotricidade na educação infantil ­­- uma prática preventiva e educativa. Porto Alegre: Artmed; 2003.         [ Links ]

13. Funayama CAR. Aspectos neurológicos da síndrome de Down. Temas desenvolv. 2002;11(61):40-4.         [ Links ]

14. Pueschel SM, organizador. Síndrome de Down: guia para pais e educadores. São Paulo: Papirus; 1993.         [ Links ]

15. Mustacchi Z, Peres S. Genética baseada em evidências: síndromes e heranças. São Paulo: CID Editora; 2000.         [ Links ]

16. Olhweiler L, Silva AR, Rotta NT. Estudo dos reflexos primitivos em pacientes recém-nascidos pré-termo normais no primeiro ano de vida. Arq Neuropsiquiatr. 2005;63(2-A):294-7.         [ Links ]

17. Godzicki B, Silva PA, Blume LB. Aquisição do sentar independente na Síndrome de Down utilizando o balanço. Fisioter Mov. 2010;23(1):73-81.         [ Links ]

18. Cirillo LC. Equoterapia. Brasília: ANDE-BRASIL; 2001.         [ Links ]

19. Tecklin JS. Fisioterapia pediátrica. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.         [ Links ]

20. Szadokoski MA. Importância do ortostatismo na disfunção neuromotora com seqüela motora grave para a formação da cognição [TCC]. Foz do Iguaçu: Faculdade União das Américas; 2005 [acesso 3 out 2006]. Disponível em: http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/neuro/ortostatismo/ortostatismo_melissa.htm        [ Links ]

21. Mattos M. Bellani CDF. A importância da estimulação precoce em bebês portadores de Síndrome de Down: revisão de literatura. Rev Bras Terap e Saúde. 2010;1(1):51-63.         [ Links ]

22. Figura F, Cama G, Capranica L, Guidetti L, Pulejo C. Assessment of static balcance in children. J Sports Med Phys Fitness. 1991;31(2):235-42.         [ Links ]

23. Sarro KJ, Salina ME. Estudo de alguns fatores que influenciam no desenvolvimento das aquisições motoras de crianças portadoras de Síndrome de Down em tratamento fisioterápico. Fisioter Mov. 1999;13(1):93-106.         [ Links ]

24. Vullerme N, Marin L, Debu B. Assessment of static postural control in teenagers with Down Syndrome. Adap Phys Act Quart. 2001;18(4):417-33.         [ Links ]

25. Oliveira DN, Barreto RR. Avaliação do equilíbrio estático em deficientes visuais adquiridos. Rev neurociênc. 2005;13(3):122-7.         [ Links ]

26. Ratliffe KT. Fisioterapia na clínica pediátrica: guia para a equipe de fisioterapeutas. São Paulo: Santos; 2002.         [ Links ]

27. Westcoot SL, Goulet C. Sistema neuromuscular: estruturas, funções diagnóstico e avaliação. In: Effgen SK, organizador. Fisioterapia pediátrica: atendendo às necessidades das crianças. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2007.         [ Links ]

28. Souto JN, Lima EAM, Paes JB, Bento MCC, Torquato JA, Saikai GPN, et al. Desenvolvimento neuropsicomotor de crianças institucionalizadas da zona leste da cidade de São Paulo. Temas desenvolv. 2008;16(94):198-202.         [ Links ]

29. Pereira PA, Leandro DF. Estudo de caso: os benefícios da equoterapia no desenvolvimento motor em uma criança portadora de Síndrome de Down. Revista Inspirar. 2009;1(2):20-3.         [ Links ]

POR

Jamili Anbar TorquatoI; Aline Féria LançaII; Décio PereiraII; Felipe Gonzalez CarvalhoII; Roberta Dutra da SilvaII

Introdução O direito à saúde como dever do Estado atualmente está garantido à população brasileira por meio do Sistema Único de Saúde (BRASI...

Proposta de atuação da fisioterapia na saúde da criança e do adolescente: uma necessidade na atenção básica




Introdução

O direito à saúde como dever do Estado atualmente está garantido à população brasileira por meio do Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2007b). O SUS propõe o acesso universal, integral, igualitário e intersetorial às ações e serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde, sendo as ações preventivas uma de suas prioridades (BRASIL, 2007c). Considerando esse conceito, existe relação entre o regimento do SUS e o papel do fisioterapeuta, uma vez que o código de ética desse profissional estabelece como uma de suas funções a atuação com caráter de prevenção.

Apesar deste processo ainda estar em construção, observamos que o profissional fisioterapeuta vem adquirindo crescente participação nos serviços referentes à atenção primária. Isso porque suas funções e atribuições são constituídas por conjunto de ações de saúde, incluindo nessa esfera a prevenção, assim como o diagnóstico cinesiofuncional, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde (BORGES et al., 2010), conforme o previsto no Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO, 2008).

O termo prevenir habilita o fisioterapeuta a atuar na atenção básica, onde a prevenção das doenças é o maior enfoque. É sua função proporcionar educação, prevenção e assistência coletiva na atenção básica em saúde (AB), bem como integrar equipes multiprofissionais destinadas a planejar, programar, controlar e executar projetos e programas (COFFITO, 2008).

Ainda é grande o esforço para se definir a atuação desse profissional na assistência primária pelo fato de haver pouca experiência acumulada nesse nível assistencial. Isso talvez decorra de inadequações nas grades curriculares, da formação dos cursos de graduação e das legislações vigentes, que caracterizam a assistência fisioterapêutica com caráter predominantemente curativo e reabilitador. Além disso, os próprios atores sociais desconhecem a prática de integralidade, conforme Silva e Da Ros (2006) apontaram recentemente.

Nesse contexto, os autores elaboraram uma proposta sistematizada de atuação da fisioterapia sobre os problemas e necessidades de saúde da criança ao adolescente, visando elucidar as características, a extensão e as possibilidades práticas deste profissional no nível básico de atenção.

 

Método

Para elaboração dessa proposta, foi realizada uma revisão bibliográfica de artigos científicos nas bases de dados SciELO, Lilacs e Medline, utilizando os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) na língua portuguesa: 'criança', 'saúde pública', 'atenção primária à saúde/atenção básica', 'fisioterapia' e na língua inglesa: 'child', 'public health', 'primary health care' e 'physical therapy'.

 

Resultados

Com base na revisão realizada, entendemos que compete ao fisioterapeuta o planejamento, a programação, a coordenação, a execução e a supervisão da aplicação de métodos e técnicas que visem à promoção da saúde, seja no nível de atenção básica, secundária ou terciária, englobando o paciente em todos os seus aspectos: físicos, emocionais e culturais.

A partir da integração desses conceitos – das responsabilidades do fisioterapeuta e das necessidades do paciente pediátrico –, elaborou-se uma proposta de atuação na atenção básica, que envolve três estratégias de intervenção: 'orientação', 'assistência' e 'acompanhamento', desenvolvidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), através da inserção do fisioterapeuta neste espaço físico ou por meio do matriciamento.

 

Síntese dos dados

Foi verificada na literatura a abordagem das ações fisioterapêuticas individuais e coletivas, uma vez que existe certa dificuldade de se encontrar referências sobre a atuação do fisioterapeuta na AB de saúde (FORMIGA; RIBEIRO, 2012).

As ações individuais constituem o atendimento individual, visitas familiares, orientações aos cuidadores, considerando a dificuldade de deslocamento até a UBS, devido a limitações físicas, financeiras e à dinâmica familiar (BRAGA; COUTO ROSA; NOGUEIRA, 2008). Nesse contexto, a prática da visita domiciliar visa o primeiro contato com a moradia do usuário, sem necessariamente vinculá-lo ao atendimento, com possibilidade de orientações e identificação de problemas locais (PORTES et al., 2011). As ações comunitárias estão geralmente direcionadas à educação em saúde e práticas corporais, com a realização de atividades em creches, grupos escolares, envolvendo mulheres, gestantes e idosos. Podem ser oferecidas tanto em espaços específicos destinados às reuniões ou nas próprias UBS, e incluem o desenvolvimento de palestras educativas, rodas de conversa ou atividades afins. (FORMIGA; RIBEIRO, 2012)

Assim, algumas possibilidades de atuação do fisioterapeuta na AB e em ambiente comunitário são apresentadas a seguir, mais especificamente foram abordadas questões referentes à saúde e cuidado da criança, como a orientação, assistência e acompanhamento.

Orientação: corresponde a programas de orientação por meio de palestras, treinamento aos pais, folhetos explicativos e outros veículos de comunicação, sobre diferentes assuntos que envolvem os cuidados com a criança. Através da apropriação do conhecimento, a criança e a família ganham autonomia no manejo da doença e na manutenção da saúde.

Devido à sua relevância, os temas: profilaxia ambiental, métodos de prevenção de acidentes domésticos, conscientização sobre o aleitamento materno e a imunização, orientações quanto a medidas antirreflexo, limpeza nasal, uso e higiene de inaladores devem ser abordados. Assuntos apontados pela comunidade como necessários, por meio de questionários e entrevistas, são incluídos nessa dinâmica. Em situações especiais, informações são oferecidas quanto aos cuidados com a oxigenoterapia e o suporte ventilatório domiciliar.

Para o manejo de pacientes crônicos, são realizados programas de treinamento aos cuidadores envolvendo técnicas de fisioterapia respiratória e motora, na tentativa de garantir um cuidado domiciliar adequado. Orientações para evitar agudizações ou crises devem ser enfatizadas e uma atenção especial deve ser oferecida aos pacientes asmáticos, doença hoje responsável por elevado número de consultas na rede básica. Nas afecções respiratórias, o treinamento é dirigido para as técnicas de remoção de secreções brônquicas e exercícios ventilatórios.

Na área motora, este treinamento objetiva orientar os familiares para a prevenção de encurtamentos e deformidades musculoesqueléticas, uso adequado de órteses, cuidados com escaras de decúbito e também na aplicação de estímulos para o desenvolvimento sensório-motor da criança.

Todo o programa de orientação leva em consideração o nível de entendimento dos cuidadores, a idade da criança, o quadro clínico em questão, bem como os recursos disponíveis para a sua resolução.

Assistência: envolve o tratamento realizado diretamente pelo fisioterapeuta ao paciente pediátrico, realizado nas UBS ou no domicílio. É indicada para os casos de afecções respiratórias e motoras.

Fisioterapia respiratória:

Na área respiratória, a intervenção envolve a aplicação de técnicas convencionais (drenagem postural, vibração manual ou mecânica, percussão e padrões ventilatórios) a fim de remover secreção brônquica, otimizar a ventilação pulmonar e melhorar o padrão respiratório da criança. Outras técnicas, denominadas modernas (ciclo ativo da respiração, técnica de expiração forçada e drenagem autógena), também podem ser utilizadas (LANNEFORS; BUTTON; MCILWAINE, 2004). Dado o perfil especial deste grupo etário, que necessita de motivação e incentivo, recursos lúdicos como bolhas de sabão, língua de sogra e apitos são bons coadjuvantes na terapia respiratória. Além do uso de algumas técnicas e instrumentais, como o inspirômetro de incentivo, o flutter® e a tapotagem podem ser ensinados. Por serem recursos facilmente reproduzíveis pelo paciente ou cuidador bem treinado e orientado, promovem certa independência para manutenção do quadro respiratório (OBERWALDER, 2000).

Fisioterapia motora:

Na assistência das afecções motoras, o fisioterapeuta lança mão de exercícios, mobilizações, manipulações, alongamentos e outros recursos que visam restabelecer a função musculoesquelética.

Nas alterações posturais, o diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de uma intervenção eficiente, principalmente na criança, onde o sistema musculoesquelético é mais complacente. Várias outras doenças requerem os cuidados do fisioterapeuta como: artrite reumatoide juvenil, doenças metabólicas, paralisia cerebral, miopatias, dentre outras.

Assim como nas enfermidades pulmonares, em muitos casos de alterações motoras (ex: torcicolo muscular, pé torto congênito) o atendimento deve ser regular e conciliado com as orientações aos cuidadores para realização de atividades em casa, o que efetiva o tratamento.

As crianças prematuras com patologias limitantes ou restritas ao leito estão sujeitas a complicações como: atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, escaras de decúbito, alterações no sistema musculoesquelético (hipotrofia, atrofia muscular, contraturas, osteoporose precoce, osteopenia e deformidades) (FELÍCIO; BARROS; VOLPON, 2005). O acompanhamento regular na primeira infância e avaliações fisioterapêuticas programadas permitem detectar precocemente atrasos ou desvios, orientar os pais sobre as características da criança pré-termo, ensinar princípios básicos de estimulação sensório-motora, anotar dados sobre o crescimento e desenvolvimento das crianças acompanhadas na caderneta infantil. Quanto mais precoce as intervenções, maiores as chances de normalização sem defasagem no desenvolvimento (MAGALHÃES et al., 2003).

Outra intervenção, diz respeito aos quadros álgicos, que são responsáveis por um elevado número de consultas nas UBS. A redução da dor melhora o desempenho do paciente durante a terapia, além de restituir sua qualidade de vida. A acupuntura e a estimulação elétrica nervosa transcutânea são recursos com bons resultados analgésicos (RABAINA, 1989). Outros procedimentos, como massoterapia, relaxamento, hidroterapia e cinesioterapia, também propiciam o alívio sintomático da dor, possibilitando a redução do uso de fármacos (OKADA; TEIXEIRA; MIYAGI, 2001).

Acompanhamento: trata-se do seguimento da criança e do adolescente. O fisioterapeuta estabelece formas de monitorar a criança, seja através da programação de retornos semanais às UBS ou por meio de visitas domiciliares. Esse acompanhamento pode ser feito de forma direta ou indireta.

Quando direta, o profissional programa retornos periódicos nos quais ele realiza a avaliação do desenvolvimento e do crescimento da criança, analisa aspectos sensoriais e motores, reforça orientações realizadas e ainda retoma os cuidados quanto às doenças respiratórias e quanto ao manejo de pacientes crônicos. Assim, avalia a evolução da criança e do adolescente, identifica precocemente alterações motoras e posturais, agudizações do quadro respiratório e ainda monitora as condições domiciliares. Esse contato direto viabiliza o encaminhamento da criança para avaliação multiprofissional e a intensificação da assistência fisioterapêutica, quando necessária.

Já no acompanhamento indireto, o fisioterapeuta verifica regularmente os registros da caderneta de saúde da criança, com o objetivo de promover a vigilância à saúde infantil. Elaborada pelo Ministério da Saúde, é uma importante ferramenta que os profissionais da saúde dispõem para acompanhar a adequação do crescimento e do desenvolvimento (BRASIL, 2007a).

A corrente proposta apresentada, de atuação do fisioterapeuta na rede básica de saúde por meio das três estratégias de intervenção – orientação, assistência e acompanhamento –, fornece uma perspectiva ampla e integral do paciente pediátrico, viabilizando uma terapêutica multiprofissional mais efetiva. Quando implantada por um programa que esteja integrado às equipes de referência e parte do apoio matricial, pode garantir o atendimento fisioterapêutico ao usuário do serviço para o qual ele é referência, além dos seus próprios usuários.

 

Discussão

A profissão da fisioterapia foi regulamentada no Brasil em 1969, cuja finalidade consistia em restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do indivíduo. Dez anos após, seu leque de atuação ampliou-se para os níveis de atenção básico, secundário e terciário (LUCAS, 2005). Contudo, pela sua própria concepção e formação ao modelo assistencial curativo, a fisioterapia muitas vezes é vista somente como reabilitadora de sequelas e complicações quando a doença já está instalada. Esse conhecimento limitado restringe a atuação do profissional e destaca o pensamento popular, no qual o fisioterapeuta somente está inserido nos espaços tradicionalmente conhecidos (hospitais e clínicas de reabilitação). Nessa linha, predomina a visão que a fisioterapia destina-se apenas à recuperação de distúrbios ortopédico-traumatológicos e neurológicos (BISPO JR., 2010).

Esse pensamento foi historicamente construído: na Antiguidade a principal preocupação na área da saúde era tratar as doenças; no Renascimento, a divisão entre os profissionais que deveriam reabilitar pessoas com alguma morbidade e aqueles que cuidariam da saúde de pessoas hígidas parece ter contribuído para que o objeto de trabalho da fisioterapia permanecesse direcionado ao atendimento de pessoas já enfermas; seguindo com a industrialização e proliferação de novas doenças, aumentou o interesse pelo tratamento de enfermidades e suas sequelas; no Brasil, por volta de 1879, teve início o uso de recursos físicos com o intuito de curar e reabilitar doentes. Posteriormente, na década de 50, a alta incidência de poliomielite e de acidentes de trabalho fortaleceu ainda mais a concepção da fisioterapia como reabilitadora (SILVA et al., 2007).

Atualmente, o processo de formação do fisioterapeuta está direcionado a desenvolver competências e habilidades gerais para atenção à saúde, como ações de prevenção, promoção e proteção da saúde, além da reabilitação individual e coletiva. A graduação tem um perfil mais humanista, crítico, reflexivo e capacitado a atuar em todos os níveis de atenção (CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL, 2009). No entanto, o discente ainda tem um conhecimento limitado sobre as possibilidades de sua atuação na saúde pública, visto a escassez do número de profissionais nesta área (NAVES; BRICK, 2011).

Nos serviços de atenção primária destinados ao primeiro contato do paciente com o sistema de saúde, visa-se cobrir as afecções mais frequentes e resolver a maioria dos problemas de saúde de uma população (GIOVANELLA, 2006). Sendo que a contemplação com ações vinculadas aos setores da Atenção Básica (AB) é recente, e realizada por meio do trabalho em conjunto com a equipe multiprofissional nas UBS e em alguns Programas de Saúde em Família (PSF) (BRASIL et al., 2005).

No modelo tradicional, as UBS configuram uma organização territorial, um espaço físico ou até político operativo do SUS para a prevenção e promoção de saúde (BARBOSA et al., 2010). No Brasil, as UBS trabalham com dois modelos de atenção: o tradicional, no qual a organização dos serviços de saúde acontece por meio de demanda espontânea ou programada, ou através da Estratégia de Saúde da Família (ESF) (TRINDADE, 2012). Nas UBS, a atuação da fisioterapia pode ser desenvolvida através desses dois modelos com ações de educação em saúde, atividades domiciliares, atividades em grupos, atendimentos individuais, ações intersetoriais, acolhimento e investigação epidemiológica (PORTES et al., 2011).

Dentro das ESF, e com a ampliação da cobertura assistencial (FORMIGA; RIBEIRO, 2012), o Ministério da Saúde criou o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). O profissional da fisioterapia compõe essa equipe, que tem como proposta a integralidade do SUS, a ampliação das ações de atenção básica e a interação com outros profissionais (NASCIMENTO; OLIVEIRA, 2010). No NASF, o fisioterapeuta está apto a planejar, implementar, controlar e executar políticas, programas, cursos, pesquisas ou eventos em saúde pública, contribuindo com planejamento, investigação e estudos epidemiológicos. Também pode participar de câmaras técnicas de padronização de procedimentos em saúde coletiva; avaliar qualidade, eficácia e riscos à saúde decorrentes de equipamentos de uso fisioterapêutico. Além disso, pode promover assistência organizada em acolhimento, atendimento individual, domiciliar, grupos operativos e atividades educativas em equipe (BARBOSA et al., 2010).

Dentre os grupos assistidos, que contam com políticas de atenção primária, como a saúde na área da mulher, do trabalhador, do idoso, o enfoque do corrente artigo é a atenção dada à criança e adolescente no que se refere às práticas da fisioterapia.

Como uma grande parte das doenças pediátricas requer a atuação da fisioterapia e se beneficia com o tratamento, a ação sistematizada deste profissional pode contribuir para redução na demanda de consultas as UBS, bem como na morbidade desse grupo etário. A casuística do atendimento pediátrico presente na rede também justifica a presença deste profissional, pois há um número elevado de consultas por situações de insuficiência respiratória aguda, exacerbações de pneumopatias crônicas, debilidades do quadro motor de diferentes etiologias, queixas álgicas e alterações posturais de escolares e adolescentes. Para essas afecções, a fisioterapia conta com recursos e técnicas manuais que podem prevenir agravos e tratar quadros instalados, por meio do auxílio na remoção de secreção brônquica e pela recuperação funcional através de exercícios e mobilizações.

A população infantil é um dos grupos etários mais vulneráveis e é assistido por meio de políticas através do programa de saúde da criança. Este programa tem como responsabilidades a garantia dos aspectos nutricionais, reforço constante quanto ao aleitamento materno, acompanhamento regular do crescimento e do desenvolvimento da criança, imunização por meio de campanhas de vacinação, e ainda assistência às doenças prevalentes, como diarreia e infecções respiratórias agudas.

Entre as afecções mais comuns na criança, estão as enfermidades respiratórias. As infecções respiratórias agudas (IRAs) têm relevância universal. Elas constituem importante causa de adoecimento em crianças até os cinco anos de idade e têm elevada morbidade e mortalidade na infância, particularmente nos países em desenvolvimento (NIOBEY et al., 1992; RODRIGUES; SILVA; BUSH, 2002). No Brasil, parcela significativa da morbidade e da mortalidade infantis relaciona-se a causas evitáveis, dependentes das melhorias dos serviços de saúde e investimentos em educação e saneamento básico (RABELAIS, 2007).

A fisioterapia respiratória é utilizada com frequência no tratamento das doenças respiratórias pediátricas e muitos estudos avaliam os benefícios desta intervenção. Um estudo realizado em 2002 mostrou que a fisioterapia contribuiu para a redução do número de ocorrências de pneumonias em crianças (BRUNETTO, 2002).

Existe evidência de que a aplicação de técnicas de fisioterapia respiratória para o tratamento de afecções respiratórias na infância contribui para uma melhor recuperação dos pacientes (JANOSKI, 1990). Portanto, a inclusão deste profissional na rede facilita o acesso da população infantil a essa terapêutica, cujos benefícios estão retratados na literatura (VAN DER SCHANS et al., 1999), principalmente na asma, bronquiolite e crises de 'chiado' do lactente.

Fatores individuais e do ambiente de vida da criança propiciam o aparecimento de doenças e sua evolução, em especial nos dois primeiros anos de vida, em função de sua característica anatômica e imunológica. A exposição a fatores irritativos e sensibilizantes, ambientes frios e úmidos, conglomerados, são aspectos domiciliares que explicam os episódios de doenças respiratórias em crianças que residem em áreas urbanas, com recidivas, em média, de seis a oito vezes por ano (SÃO PAULO, 2003).

Além das afecções respiratórias, Portes et al. (2011) destacam que há a necessidade de mais trabalhos envolvendo crianças com os outros acometimentos comuns a esse ciclo de vida, considerando que existe precariedade quanto ao levantamento das reais necessidades que esse grupo etário depende.

Nessa linha, os quadros motores apresentam altos índices de procura por assistência em saúde, tendo a fisioterapia benefícios reconhecidos. Em situações como o atraso do desenvolvimento motor infantil, seja devido à prematuridade ou decorrente de encefalopatias, é uma terapêutica reconhecida como eficiente coadjuvante da clínica médica.

As variações posturais são comumente encontradas no período do crescimento e do desenvolvimento e decorrem dos vários ajustes, das adaptações, de mudanças corporais e psicossociais que marcam esta fase (PENHA et al., 2005). Observa-se um aumento relevante na incidência de problemas posturais em crianças, sendo as causas mais comuns: má postura durante as aulas, uso incorreto da mochila escolar, utilização de calçados inadequados, sedentarismo e obesidade. Através de uma avaliação fisioterapêutica minuciosa da postura, consegue-se identificar alterações que podem trazer consequências prejudiciais à função de sustentação e de mobilidade (BANKOFF; BRIGHETTI, 1986), bem como iniciar precocemente a terapêutica adequada e reverter o quadro.

Também o ganho ponderal das crianças resulta de apoio e orientação que as mães recebem durante o processo de amamentação (ONIS; VICTORA, 2004). O fisioterapeuta, através da proposta do acompanhamento indireto, pode reforçar as orientações, além de verificar a caderneta de saúde regularmente e, juntamente com a equipe multiprofissional, verificar a adequação do desenvolvimento pôndero-estatural.

Entretanto, Sousa, Erdmann e Mochel (2011) destacam a ocorrência das condições limitadoras para integralidade do cuidado à criança na AB da saúde. Relatam que, apesar de ações para esse grupo serem enfatizadas, ainda encontram-se em processo de formação e implementação. Deve haver a interação entre o profissional da equipe, as famílias e a própria comunidade, o que na prática não é tão simples.

Contudo, em sua revisão, Loures e Silva (2010) verificam a interface entre as atuações do agente comunitário e o fisioterapeuta, e relatam haver uma interação entre suas atividades. Esse fato fortalece o trabalho desses profissionais na atenção básica, no que concerne à importância da realização do trabalho em equipe.

Em um estudo realizado no município de Sobral (Ceará), onde o fisioterapeuta participa diretamente no programa de saúde da família, foi constatado que 67% das atividades fisioterapêuticas se relacionam com a promoção de saúde e geram um alto índice de satisfação popular (BRASIL et al., 2005). O modelo estruturante do PSF deste município incorpora várias categorias profissionais de saúde ao programa, permitindo o desenvolvimento de ações de muita importância e impacto na qualidade de vida da população. Os impactos podem ser sentidos na saúde da criança, onde há estudos que mostram redução significativa da desnutrição no primeiro ano de vida, mortalidade neonatal, mortalidade infantil geral e por diarreia (SIQUEIRA; FACCHINI; HALLAL, 2005).

Também em Ipatinga (MG), há evidências suficientes que demonstram que a fisioterapia, quando integrada na equipe do PSF, melhora significativamente o quadro geral de saúde dos pacientes (CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL, 2005). Estes resultados motivam a sistematização da ação do fisioterapeuta no PSF, cujas ações podem levar a um grande impacto na saúde da criança.

Um fato importante a destacar é que a maioria da população que utiliza os serviços de saúde o faz através do SUS. Em estudo realizado no estado do Rio Grande do Sul verificou-se que, entre os usuários de fisioterapia, 66% utilizam o SUS, 25% planos de saúde ou convênios e 9% consultas particulares (SIQUEIRA; FACCHINI; HALLAL, 2005). Sistematizar a atuação da fisioterapia no nível de atenção básica, com vistas à promoção da saúde e prevenção de doenças, corrobora com a proposta a que este nível de atenção se dispõe (GIOVANELLA, 2006).

No entanto, diante da complexidade das questões que envolvem os cuidados com a criança e o adolescente, fica claro que atuar na AB não é tarefa simples. A compreensão e a inserção do profissional na comunidade devem ser adquiridas pela educação permanente, bem direcionada e elaborada (PAULA et al., 2009; RIBEIRO; SILVA; PUCCINI, 2010).

Isso porque, conforme afirma Fréz e Nobre (2011), o planejamento e o direcionamento das políticas públicas relacionadas à saúde são cada vez mais acertadas quanto mais fundamentadas estão no respeito às perspectivas e necessidades daqueles que a utilizam. São os usuários os mais passíveis de percepção e análises. No caso das crianças, esta tarefa se destina aos pais, que devem ser educados, orientados e ouvidos com relação às necessidades em saúde e à satisfação com os serviços de atendimento aos seus filhos.

Importante destacar ainda que a organização atual do SUS, em equipes de referência e apoiadores matriciais, que visam a ampliação das possibilidades de realizar uma clínica abrangente e uma integração dialógica entre as diferentes especialidades (CAMPOS; DOMITTI, 2007), tem como finalidade garantir às equipes das UBS um maior apoio no processo de assistência (ARONA, 2009). Esse cenário ainda está em fase de construção e envolve alguns obstáculos como a própria estrutura, o excesso de demanda e a carência de recursos, no âmbito político, de comunicação, cultural, ético e epistemológico (CAMPOS; DOMITTI, 2007), e que configuram barreiras a todos os profissionais, incluindo os fisioterapeutas. No caso desses profissionais, são escassos os relatos quanto a tais experiências e discussões conceituais sobre a importância de suas ações no matriciamento. Essa lacuna necessita ser sanada, para que a prática da fisioterapia na AB seja constituída de fato, bem como se defina suas relações com outros promotores da saúde e seu real foco de atuação.

Apesar dos problemas citados, essa nova organização cria as condições para a definitiva incorporação desse tipo de atendimento, por facilitar a interlocução multiprofissional e a gestão do procedimento e tais atividades têm envolvido a orientação aos familiares, auxílio no manuseio da criança doente e prevenção de enfermidades comuns desta faixa etária. Porém, por não haver uma descrição sistematizada da atuação deste profissional na AB com enfoque na saúde da criança e do adolescente, houve o interesse em apresentar essa proposta.

 

Conclusão

A proposta de atuação do fisioterapeuta na rede básica de saúde aqui apresentada sistematiza a participação deste profissional na equipe multiprofissional, de forma transdisciplinar e horizontal, além de caracterizar sua função, que não se restringe apenas à reabilitação, mas também à promoção da saúde, conforme rege o SUS. Por se tratar de uma proposta organizada de inserção deste profissional no nível primário de atenção, pode não só beneficiar o sistema, reduzindo a sobrecarga nos níveis secundário e terciário de assistência, como também viabilizar o acesso da criança e do adolescente à fisioterapia.

 

Referências

ARONA, E. C. Implantação do matriciamento nos serviços de saúde de Capivari. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 18, n. 1, p. 27-36, 2009.        

BANKOFF, A. D. P.; BRIGHETTI, V. Levantamento de incidência de cifose postural e ombros caídos em alunos de 1ª à 4ª série escolar. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Porto Alegre, v. 7, n. 3, p. 93-97, 1986.        

BARBOSA, E. G.; FERREIRA, D. L. S.; FURBINO, S. A. R. Experiência da fisioterapia no Núcleo de Apoio à Saúde da Família em Governador Valadares, MG. Fisioterapia em movimento, Curitiba, v. 23, n. 2, p. 323-330, 2010.        

BISPO JR, J. P. Fisioterapia e saúde coletiva: desafios e novas responsabilidades profissionais. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 15, n.1, p. 1627-1636, 2010.        

BORGES, A. M. P. et al. A contribuição do fisioterapeuta para o Programa de Saúde da Família – uma revisão da literatura. UNICiências, Cuiabá, v. 14, n. 1, p. 69-82, 2010.        

BRAGA, A. F. ; COUTO ROSA, K. O.; NOGUEIRA, R. L. Atuação do fisioterapeuta nas equipes de saúde da família. Investigação, Franca, v. 8, n. 1-3, p. 19-24, 2008.        

BRASIL, A. C. O. et al. O papel do fisioterapeuta do programa saúde da família do município de Sobral – Ceará. Revista Brasileira de Promoção de Saúde, Fortaleza, v. 18, n.1, p. 3-6, 2005.        

BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta de saúde da criança. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/menina_final.pdf>. Acesso em: 26 jun 2007a.        

______. Sistema Único de Saúde. SUS: Aspectos gerais. Disponível em: <http://www.sespa.pa.gov.br/SUS/sus/sus_aspgerais.htm>. Acesso em: 28 maio 2007b.        

______. Sistema Único de Saúde. SUS: O que é o SUS. Disponível em: <http://www.sespa.pa.gov.br/Sus/sus/sus_oquee.htm>. Acesso em: 28 jul. 2007c.        

BRUNETTO, A. F.; PAULIN, E. Importância da fisioterapia pulmonar no tratamento de pneumonias em crianças. Revista Fisioterapia em Movimento, Curitiba, v. 15, n. 1, p. 39-45, 2002.        

CAMPOS, G. W. S.; DOMITTI, A. C. Apoio matricial e equipe de referência: uma metodologia para a gestão do trabalho interdisciplinar na saúde. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 2, p. 399-407, 2007.        

CONSELHO FEDERAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL (Brasil). Saúde da Família: uma nova opção para o trabalho do fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. Revista trimestral do COFFITO, Brasília, v. 7, n. 24, p. 6-8, 2005.        

______. Disponível em: <http://www.coffito.org.br/#[page]showDynamic.php?page=6&section=6&pagina=fisio_defin.>. Acesso em: 15 maio 2008.        

______. Diretrizes Curriculares. Disponível em: <http://www.crefito10.org.br/open.php?id_ses=4&pk=22>. Acesso em 10 jun. 2010.        

FELÍCIO, L. R.; BARROS, A. R. S. B.; VOLPON, J.B. Abordagem fisioterapêutica em crianças com doença de Legg-Calvé-Perthes submetidas à instalação do artrodistrator: estudo de caso. Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v. 11, n. 1, p. 37-42, 2005.        

FORMIGA, N. F. B. ; RIBEIRO, K. S. Q. S. Inserção do fisioterapeuta na AB: uma analogia entre experiências acadêmicas e a proposta dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). Revista Brasileira de Ciências da Saúde, São Caetano do Sul, v. 16, n. 2, p. 113-122, 2012.        

FRÉZ, A. R.; NOBRE, M. I. R. Satisfação dos usuários dos serviços ambulatoriais de fisioterapia da rede pública. Revista Fisioterapia em Movimento, Curitiba, v. 24, n. 3, p. 419-428, 2011.        

GIOVANELLA, L. Primary care in European Union countries: configurations and organizational reforms in the 1990s. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n. 5, p. 951-963, 2006.        

JANOSKI, J. C. B. Abordagem da fisioterapia respiratória em paciente pediátrico. Revista Fisioterapia em Movimento, Curitiba, v. 3, n. 1, p. 89-101, 1990.        

LANNEFORS, L.; BUTTON, B. M.; MCILWAINE, M. Physiotherapy in infants and young children with cystic fibrosis: current practice and future developments. Journal of Royal Society Medicine, London, v. 97, n. 44, p. 8-25, 2004.        

LOURES, L. F.; SILVA, M. C. S. A interface entre o trabalho do agente comunitário de saúde e do fisioterapeuta na AB à saúde. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 5, n. 4, p. 2155-2164, 2010.        

LUCAS, R.W.C. Fisioterapia: denominação inadequada para uma atuação profissional moderna. Conhecimento Interativo, São José dos Pinhais, v. 1, n. 1, p. 89-97, 2005.        

MAGALHÃES, L. C. et al. Estudo comparativo sobre o desempenho perceptual e motor na idade escolar em crianças nascidas pré-termo e a termo. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, São Paulo, v. 61, n. 2A, p. 250-255, 2003.        

NASCIMENTO, D. D. G. ; OLIVEIRA, M. A. C. Reflexões sobre as competências profissionais para o processo de trabalho nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família. O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 34, v. 1, p. 92-96, 2010.        

NAVES, C. R.; BRICK, V. S. Análise quantitativa e qualitativa do nível de conhecimento dos alunos do curso de fisioterapia sobre a atuação do fisioterapeuta em saúde pública. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, n. 1, p. 1525-1534, 2011.        

NIOBEY, F. M. L. et al. Fatores de risco para morte por pneumonia em menores de um ano em uma região metropolitana do sudeste do Brasil: um estudo tipo caso-controle. Revista Saúde Pública, São Paulo, v. 23, n. 4, p. 229-238, 1992.        

OKADA, M.; TEIXEIRA, M. J.; MIYAGI, K. T. Tratamento da dor em pediatria. Revista de Medicina, São Paulo, v. 80, n. 1, p. 157-169, 2001.        

ONIS, M.; VICTORA, C. G. Growth charts for breastfed babies. The Journal of Pediatrics, Cincinnati, v. 80, n. 2, p. 85-87, 2004.        

PAULA, R. et al. Fisioterapia na comunidade: Saúde da Família, novos desafios e desenvolvimento das ações no trabalho multiprofissional. Revista Multidisciplinar das Faculdades Integradas Pitágoras, Montes Claros, v. 1, n. 7, p. 64-70, 2009.        

PENHA, P. J. et al. Postural assessment of girls between 7 and 10 years of age. Clinics, São Paulo, v. 60, n. 1, p. 9-16, 2005.        

PORTES, L. H. et al. Atuação do fisioterapeuta na Atenção Básica à Saúde: uma revisão da literatura brasileira. Revista de APS, Juiz de Fora, v. 14, v. 1, p. 111-119, 2011.        

RABELAIS, D. C. M. Reflexos das políticas de saúde sobre as tendências da mortalidade infantil no Brasil: revisão da literatura sobre a última década. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 7, p. 1511-1528, 2007.        

RIBEIRO, A. M. R.; SILVA, R. R. F.; PUCCINI, R. F. Conhecimentos e práticas de profissionais sobre desenvolvimento da criança na AB à Saúde. Revista Paulista de Pediatria, São Paulo, v. 28, n. 2, p. 208-301, 2010.        

RODRIGUES, J. C.; SILVA, F. L. V. F.; BUSH, A. Diagnóstico etiológico das pneumonias: uma visão crítica. The Journal of Pediatrics, Cincinnati, v. 78, n. 2, p. 229-140, 2002.        

SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Saúde. Caderno temático da criança. Disponível em: http://ww2.prefeitura.sp.gov.br//arquivos/secretarias/saude/publicacoes/0001/CadernoCrianca.pdf.>. Acesso em: 3 jun 2009.        

SILVA, D. J.; DA ROS, M. A. Inserção de profissionais de fisioterapia na equipe de saúde da família e SUS: desafios na formação. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 12. n. 6, p. 673-681, 2007.        

SILVA, E. et al. A importância da pesquisa científica para o profissional fisioterapeuta. Disponível em: <http://www.estacio.br/graduacao/fisioterapia/artigos/importância_pesquisa.pdf />. Acesso em: 26 jun. 2007.        

SIQUEIRA, F. V.; FACCHINI, L. A.; HALLAL, P. C. Epidemiology of physiotherapy utilization among adults and elderly. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 39, n. 4, p. 662-668, 2005.        

SOUSA, F. G. M.; ERDMANN, A. L.; MOCHEL, E. G. Condições limitadoras para a integralidade do cuidado à criança na AB de saúde. Texto e Contexto Enfermagem, Florianopólis, v. 20, n. spe, p. 263-271, 2011.        

TRINDADE, K. M. Fisioterapia em uma unidade básica de saúde: estudo da demanda espontânea. 2012, 49 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.        

VAN DER SCHANS, C. P. A. et al. Physiotherapy and bronchial mucus transport. European Respiratory Journal, Le Kremlin-Bicêtre, v.13, n. 6, p. 1477-1486, 1999.        

 

 POR
Maria Laura Oliveira DavidI; Maria Ângela Gonçalves de Oliveira RibeiroII; Maria de Lurdes ZanolliIII; Roberto Teixeira MendesIV; Maíra Seabra de AssumpçãoV; Camila Isabel Santos SchivinskiVI

Faça Fisioterapia