A maior parte das crianças com cardiopatias ligeiras não tem qualquer sintoma e a doença é suspeitada pelo médico numa observação de rot...

Sinais e sintomas de doenças cardíacas em crianças



A maior parte das crianças com cardiopatias ligeiras não tem qualquer sintoma e a doença é suspeitada pelo médico numa observação de rotina.

DIFICULDADE RESPIRATÓRIA: muitas crianças com problemas cardíacos têm dificuldade respiratória, com aumento da frequência respiratória (polipneia) e aunento do esforço inspiratório que se nota pela retracção dos músculos intercostais ("tiragem" intercostal)

CANSAÇO COM OS ESFORÇOS:
nas crianças pequenas (recém-nascidos e lactentes) o cansaço manifesta-se principalmente durante o esforço da alimentação por transpiração abundante, necessidade de pausas frequentes e  aumento lento de peso.

 

CIANOSE – Coloração azulada das mucosas (boca, língua).Resulta da mistura de sangue arterial (oxigenado) com sangue venoso (menos oxigenado) que acontece em várias cardiopatias congénitas.

No entanto, existem alguns tipos de cianose que não representam doença cardíaca, como:

a) Cianose transitória do recém-nascido:mais frequente em recém-nascidos prematuros,  deve-se a vários factores não cardíacos. Desaparece nos primeiros dias e não necessita de qualquer terapêutica.

b) Nas  crianças pequenas é frequente haver coloração azulada à volta da boca e na ponta dos dedos devido à contracção de pequenos vasos capilares com o frio.

c) Também é frequente haver cianose com o choro nas crianças pequenas por dificuldade de controlo da respiração (espasmo do choro).

 

CRISES DE HIPÓXIA OU DE CIANOSE: caracterizam-se por:

1) Início súbito com dificuldade respiratória (dispneia) e aumento da frequencia respiratória (polipneia).

2) Início ou agravamento da cianose pré-existente

3) Alteração do estado de consciência com agitação e irritabilidade terminando com hipotonia ou sonolência. Pode terminar em inconsciência e raramente com convulsões.

4) Estas crises começam em geral no 2º ou 3º mês de idade e são raras após o 2º ano. São geralmente de curta duração mas representam um sinal de doença cardíaca grave pelo que é urgente recorrer ao médico.

POSIÇÃO DE CÓCORAS (SQUATTING)

As crianças mais velhas com doenças cardíacas cianóticas (como tetralogia de Fallot) descansam muitas vezes em posição de cócoras após esforços. É uma posição de defesa que permite que se eleve a pressão arterial e obriga a que passe mais sangue para os pulmões através do aperto da saída do coração para a AP melhorando a oxigenação. Representa um sinal de doença cardíaca importante.

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O curso tem como objetivo proporcionar conhecimentos e atualização quanto ao tratamento fisioterapêutico em diversas patologias em pediatria, a atuação do fisioterapeuta e os recursos utilizados na área cardiopulmonar pediátrica, de forma a qualificar o profissional para reabilitação de crianças com distúrbios cardiorrespiratórios.

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Não é novidade que toda criança precisa de atenção e cuidados. E no caso de crianças com síndrome de Down, que possuem um grande potencial...

Importância dos estímulos precoces em crianças com síndrome de Down



Não é novidade que toda criança precisa de atenção e cuidados. E no caso de crianças com síndrome de Down, que possuem um grande potencial para ser desenvolvido, não é diferente. O grande diferencial é que elas precisam de mais tempo e estímulos da família e de especialistas para adquirir e aprimorar suas habilidades o mais precoce possível.

Mas porque essas crianças precisam de mais estímulos que as outras? Por que crianças que nascem com a síndrome tendem a ser mais "molinhas" que as outras e, por isso, necessitam de um tratamento precoce para minimizar os atrasos no desenvolvimento motor, muito comum em quem possui a trissomia do 21.

Crianças com Síndrome de Down podem ter dificuldade de atingir alguns marcos do desenvolvimento motor típico, mas existem inúmeras variações no tempo de aquisição. Por exemplo, o andar pode ser atingido a um ano de idade ou em alguns casos só aos 4 anos. Esse fato irá depender não somente da hipotonia muscular (tônus muscular reduzido) e outras características presentes nessas crianças que dificultam sua evolução motora, mas principalmente dos estímulos oferecidos na fisioterapia.

Na fisioterapia pediátrica, a atuação é feita de maneira lúdica por meio de técnicas para facilitar e estimular reações posturais, que geram condições musculares necessárias para aquisições motoras de crianças com síndrome de Down. As respostas sensório-motoras de crianças com Síndrome de Down podem ser deficitárias, mas é possível ampliá-las de acordo com o meio em que a criança estiver inserida e os estímulos que são oferecidos neles. Quanto mais se oferecer um ambiente solicitador, que promova autonomia e diferentes possibilidades de descobertas de seu potencial, melhor será o desenvolvimento dessas crianças.

A fisioterapia permite o desenvolvimento de crianças portadoras da Sindrome de Down, Para o profissional, é muito gratificante participar do processo de desenvolvimento dos meus pacientes. As crianças estão descobrindo o mundo através do seu corpo e de suas vivências, poder proporcionar a elas oportunidades e experiências capazes de enriquecer e aprimorar essas descobertas faz de mim uma profissional realizada. Acredito que todos nós temos habilidades e dificuldades, apenas precisamos conhecê-las e aprender a lidar com elas.

As sessões podem ser realizadas de uma a três vezes por semana. A frequência irá depender das particularidades e necessidades de cada criança. O médico que acompanha a criança avalia se ela esta apta para realização desses estímulos que devem ter início já nos primeiros meses de vida, período em que padrões de posturas e movimentos estão se instalando.  

Os primeiros anos de vida – até os quatro anos de idade – são considerados críticos para o desenvolvimento infantil por conta da neuroplasticidade cerebral, que é a capacidade do sistema nervoso modificar sua estrutura e função em decorrência de padrões de experiência. Por isso, o estímulo precoce é fundamental para o desenvolvimento de habilidades em crianças com Síndrome de Down, oferecendo a elas maiores oportunidades para conquistas futuras.

É um trabalho muito importante para o desenvolvimento motor e aquisições dos marcos motores dessas crianças, como por exemplo, rolar, sentar, engatinhar e andar. Tudo isso irá fazer a criança alcançar esses marcos sem ter um atraso motor significativo, que quando ocorre acaba sendo prejudicial à integração da criança com o mundo, pois ela não conseguirá explorar o local em que vive, por conta de não ter um desenvolvimento motor necessário.

Entre quatro e cinco anos de idade, a criança já terá atingido os principais marcos do desenvolvimento motor e, desta forma, estará preparada para seguir em frente sem o tratamento fisioterapêutico. É importante que a família insira essa criança em um esporte de sua preferência que dará a ela capacidades motoras para continuar explorando e se desenvolvendo.        

A família tem um papel de extrema importância neste processo e deve sempre estimular as crianças, também, no ambiente familiar. Quando a família é orientada por profissionais, é capaz de dar continuidade aos estímulos oferecidos em terapias na rotina da criança e em suas atividades de vida diárias.

Descrição do curso:  O curso Fisioterapia Neonatal, por meio da Educação a Distância, oferece ao profissional de fisioterapia conhecimento...

Curso Online de Fisioterapia Neonatal





Descrição do curso:

 O curso Fisioterapia Neonatal, por meio da Educação a Distância, oferece ao profissional de fisioterapia conhecimentos sobre neonato, recém-nascido, ventilação mecânica invasiva, UTI neonatal e unidade intermediária e muito mais.


Conteúdo Programático:

  • Anatomia e Fisiologia do Recém-Nascido;

  • Classificação do Neonato;
  • Características Gerais do Neonato;
  • Distúrbios Respiratórios no Período Neonatal;
  • Distúrbios Neurológicos;
  • Malformações Congênitas de Importância Fisioterapêutica;
  • Avaliação Cardiorrespiratória;
  • Avaliação Neurológica;
  • Aspiração de Vias Aéreas;
  • Oxigenioterapia na Neonatologia;
  • Ventilação Mecânica Não-Invasiva;
  • Ventilação Mecânica Invasiva;
  • Objetivos da Fisioterapia Neonatal;
  • Protocolo Fisioterapêutico na UTI Neonatal e Unidade Intermediária;
  • Fisioterapia Respiratória em Neonatologia;
  • Fisioterapia Motora e Estimulação Essencial;
  • Posicionamento Terapêutico.

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    Informações sobre o Curso:

    Produtor: Portal Educação

    A Shantala, massagem de origem indiana é aplicada pelas próprias mamães, em crianças com mais de um mês de idade. Fazendo repetições de ...

    Benefícios da Shantala


    A Shantala, massagem de origem indiana é aplicada pelas próprias mamães, em crianças com mais de um mês de idade. Fazendo repetições de movimentos e alongamentos, é possível trabalhar a musculatura do bebê e as articulações.

    Ela é bastante interessante na fase em que o bebê ainda não tem controle sobre todos os movimentos do corpo, porque serve de estímulo. Quando ainda não rola, não senta, não engatinha.

    O objetivo da massagem Shantala é desenvolver a interação mãe-filho, o seu toque sutil e amoroso é capaz de romper cadeias de tensões, bloqueios, prevenindo problemas futuros. Alivia cólicas e insônias, equilibrando o bebê física, emocional e energicamente. O carinho e interação vão além de uma simples massagem.

    BENEFÍCIOS

    • Fortalecimento do vínculo;
    • Relaxamento e bem-estar;
    • O sono é mais tranquilo;
    • Alívio das cólicas;
    • A digestão e circulação são melhoradas;
    • Redução da ansiedade e irritabilidade;
    • A pele é tonificada e hidratada;
    • O crescimento do bebê é estimulado;
    • Menos choro e mais tranquilidade;
    • Melhora o desenvolvimento motor;
    • Integração de corpo e mente;
    • Delimita o espaço interno (limites do EU);
    • Mais amor e afetividade;

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    A Psicomotricidade é uma ótima ferramenta para trabalhar o desenvolvimento infantil, principalmente. A variedade nesse tipo de trabalho...

    Material: TOP 100 Psicomotricidade - 100 atividades de Psicomotricidade



    A Psicomotricidade é uma ótima ferramenta para trabalhar o desenvolvimento infantil, principalmente.

    A variedade nesse tipo de trabalho é importante porque acelera o aprendizado do aluno.

    Esse guia, tem 100 atividades que dinamizar o trabalho do professor. Ele foi pensado e adaptado para que possa ser usado em todas as fases do ensino. Então, no meio dele você encontrará atividades para o primeiro ano da criança assim como atividades específicas juntas para determinado objetivo.

    Os bônus deste guia são:

    - 10 atividades para se fazer dentro de sala;
    - Apostila sobre estruturas psicomotoras.

    É um guia em PDF e você receberá assim que efetuar o pagamento.

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    Informações sobre o Produto:

    Criado por Daniela Fernandes

    eBooK Psicomotricidade Positiva QUE TAL APRIMORAR SUAS ATIVIDADES PSICOMOTORAS? Olá, tudo bem? Imagine você se realizando com as suas ativ...

    Material: Psicomotricidade Positiva - eBook + 5 Vídeos-Aulas



    eBooK Psicomotricidade Positiva

    QUE TAL APRIMORAR SUAS ATIVIDADES PSICOMOTORAS?

    Olá, tudo bem? Imagine você se realizando com as suas atividades psicomotoras? Imagine você sendo uma pessoa feliz, motivada e bem disposta a ministrar suas aulas.

    Imaginando em compartilhar nossas experiências para somá-las com as suas e proporcionar nosso mútuo aprimoramento e baseado em nossa prática, estudos, pesquisas, intuição e muita reflexão, que elaborei este eBook: "Psicomotricidade Positiva"

    ALGUNS APRIMORAMENTOS QUE VOCÊ PODE CONQUISTAR

    ·       1. Depois de você ler este eBook você vai entender como evoluiu a visão de "corpo e mente separados" (mecanicista) para uma visão "corpo-mente integrados" ou "corpo-psique integrados" (sistêmica), e como isso altera significativamente as nossas intervenções psicomotoras ou nossas atividades práticas do dia-a-dia!

    ·       2. Esta compreensão lhe ajudará a perceber a relação do movimento corporal com o seu significado simbólico, da mesma maneira que, como uma importante estratégia de intervenção.

    ·      3.  Isso facilitará a ver seu aluno com um olhar mais profundo e compreensivo, lhe auxiliará nas prescrições de suas atividades psicomotoras, bem como, na maneira que você conduz as suas aulas.

    ·       4. Essas mudanças no olhar, nas prescrições e na condução das aulas, lhe proporcionarão menor stress, mais satisfação, felicidade, realização e motivação para acordar de manhã para ministrar suas aulas. Foi assim que aconteceu comigo e com os nossos professores e professoras.

    ·        5. Você vai saber também como organizamos o contexto operacional, ou seja, a nossa prática do dia-a-dia de nossas aulas no que chamamos de Método Vida Pura. Assim de uma maneira bem prática você poderá aplicar essa teoria à sua prática psicomotora.

    BÔNUS

    Chamamos de "Pressupostos" um capítulo do eBook que trata de temas centrais da Psicomotricidade Positiva. Aqui temos uma oferta incrível. Oferecemos como bônus 5 vídeos onde explico cada pressuposto em vídeos-aulas, assim você poderá além de ler os pressupostos no eBook, assistir as explicações em vídeos!!! Esse bônus torna este eBook muito especial e muito robusto, com conteúdos em texto e em vídeos-aulas!!!
    Ainda você terá acesso ao grupo secreto do Facebook onde você vai interagir diretamente com o Prof. Lino, compartilhar ideias, reflexões e tirar suas dúvidas.

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    Informações sobre o Produto:

    Criado por Prof. Lino Azevedo Jr.

    A prematuridade é avaliada como um problema de saúde pública, relacionada aos elevados índices de morbimortalidade e invalidez infantil ...

    Teste de Respiração Espontânea e a Extubação em Neonatos



    A prematuridade é avaliada como um problema de saúde pública, relacionada aos elevados índices de morbimortalidade e invalidez infantil

    A morbimortalidade perinatal decorre da imaturidade anatômica e fisiológica do sistema nervoso central e respiratório levando a alterações como infecções congênitas ou adquiridas, anóxia, hemorragia intracraniana, episódios de apneia, síndrome do desconforto respiratório, dependência de oxigênio

    Tais morbidades e complicações respiratórias podem levar a necessidade de auxílio ventilatório, neste sentido, a utilização da ventilação mecânica (VM), tornou-se uma das terapias mais utilizadas e de maior impacto da sobrevida de recém-nascidos prematuros ou de baixo peso. Apesar de auxiliar na sobrevida destes recém-nascidos, há uma grande preocupação referente às complicações causadas pelo uso inadequado e/ou prolongado desse recurso

    O desmame dos pacientes em VM está relacionado a complicações e a mortalidade, por ser uma das etapas críticas da assistência ventilatória e está relacionado a complicações e a mortalidade

    Seguindo critérios pouco objetivos, a decisão de extubação é tomada com base na experiência da equipe médica e avaliação clínica subjetiva do paciente, tornando a retirada da ventilação mecânica invasiva uma ação de tentativa e erro. Sendo assim, a retirada do tubo endotraqueal e a sua substituição por formas não invasivas de suporte tem se tornado cada vez mais utilizadas na neonatologia, na tentativa de reduzir a falha da extubação.

    O teste de respiração espontânea (TRE) antes da extubação fornece informações sobre a capacidade de respirar espontaneamente. O TRE é a uma técnica simples, e quando realizado imediatamente antes da extubação pode fornecer informações úteis a respeito da capacidade do doente respirar espontaneamente. Em unidades de terapia intensiva (UTI) de adulto e pediátricas já é prática comum e está bem fundamentada a utilização desse teste, porém, poucas pesquisas foram realizadas para validade do mesmo na área neonatal

    Segundo essa pesquisa, a realização do teste de respiração espontânea positivo associado à ventilação não invasiva logo após extubação pode diminuir as falhas de extubação em unidades de terapia intensiva neonatal.

    Até a próxima!

    A bronquite é a inflamação das principais vias respiratórias que vão aos pulmões, como sao os brônquios. É uma inflamação que produz muita...

    A bronquite crônica nas crianças


    A bronquite é a inflamação das principais vias respiratórias que vão aos pulmões, como sao os brônquios. É uma inflamação que produz muita tosse e expectoração nas crianças e adultos.

    A bronquite crônica é uma infeccção de longa duração. As pessoas têm tosse que produz mucosidade excessiva. Para fazer o diagnóstico de bronquite crônica se requer que a pessoa tenha tosse com mucosidade durante a maioria dos dias do mês, durante pelo menos 3 meses.

    A bronquite crônica também se conhece como doença pulmonar obstrutiva crônica, ou como EPOC, para abreviar (O enfisema é outra variante de EPOC). À medida que esta infecção se agrava, a pessoa apresenta cada vez mais dificuldade para respirar, tem dificuldade para caminhar ou realizar esforços físicos e pode precisar de oxigênio suplementar de maneira regular. A fumaça dos cigarros, é a principal causa de bronquite crônica. A gravidade da doença, muitas vezes depende de quanto tenha fumado ou por quanto tempo tenha sido exposto à essa fumaça.

    Os seguintes fatores podem agravar a bronquite: a poluição do ar, certas ocupações (como a extração de carbono, a fabricação de têxteis e a manipulação de grãos), as infecções e as alergias.


    Muitas vezes, os bebés nos primeiros dias de vida podem necessitar de cuidados especializados e de uma maior vigilância, tendo de ficar no...

    Dicionário da Neonatologia



    Muitas vezes, os bebés nos primeiros dias de vida podem necessitar de cuidados especializados e de uma maior vigilância, tendo de ficar no serviço de neonatologia.

    A Neonatologia é um serviço que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, geralmente é amplo e espaçoso, e está presente na grande maioria das maternidades. Dispõe de uma equipa, de enfermeiros experientes e médicos especialistas em neonatologia, pronta a dar resposta às mais variadas situações tais como: prematuros (bebés que nascem antes do final do tempo), bebés com dificuldade em respirar, com dificuldade em comer, ou outras complicações.

    A

    ALIMENTAÇÃO PARENTERAL (Parentérica) - Alimentação por via intravenosa, ou seja, os nutrientes são administrados directamente no sangue.
    ANALGÉSICOS - Medicamentos usados para eliminar ou diminuir a dor.
    ANTIBIÓTICOS - Medicamentos usados para tratar as infecções causadas por bactérias.
    ANEMIA - Baixo número de glóbulos vermelhos no sangue. Os glóbulos vermelhos são células que transportam o oxigénio necessário para a vida das outras células.
    ANOXIA - Redução da quantidade de oxigénio no sangue e nos tecidos orgânicos. É sinónimo de hipoxia ou asfixia.
    APGAR - Teste que avalia o estado de saúde do recém-nascido através de uma escala que vai de zero a 10. É realizado duas vezes, ao primeiro e ao quinto minuto após nascimento. Esta avaliação usa critérios respiratórios, neurológicos e circulatórios.
    APNEIA - Paragem respiratória.
    AUDIOMETRIA - Exame para determinar o grau de acuidade auditiva.

    B

    BACTÉRIA - É um gérmen capaz de causar doenças graves, que têm de se tratar com antibióticos.
    BILIRRUBINA - Pigmento amarelo alaranjado resultante da decomposição dos glóbulos vermelhos do sangue.
    BRADICARDIA - Diminuição da frequência cardíaca.
    BRONQUIOLITE - Infecção viral contagiosa das vias respiratórias que afecta os bebés e as crianças pequenas e provoca dificuldade ao respirar, sobretudo ao expirar.

    C

    CATETER - Tubo de plástico estreito e flexível que se insere no corpo para injectar ou extrair fluidos.
    CATETER UMBILICAL - Tubo de plástico estreito e flexível que se introduz no cordão umbilical do bebé através de um vaso sanguíneo.
    CIANOSE - Coloração azulada da pele causada por uma oxigenação insuficiente do sangue.
    COLOSTRO - Liquido seroso e amarelado segregado pelas mamas antes do inicio da aleitação. Este liquido é rico em anticorpos que protegem o recém-nascido contra infecções.
    CONVULSÃO - Actividade eléctrica anormal do cérebro que produz movimentos involuntários dos músculos e espasmos.
    CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) - Uso de cânulas nasais pequenas no nariz do bebé para manter uma pequena quantidade de ar nos pulmões no fim de cada expiração. Isto vai evitar o colapso dos alvéolos pulmonares.

    D
    DOENÇA DA MEMBRANA HIALINA - Distúrbio respiratório frequente nos recém-nascidos resultante de uma produção insuficiente de surfactante pelos pulmões imaturos.
    DISPLASIA BRONCOPULMONAR - Lesão do tecido broncopulmonar que ocorre em prematuros com dificuldade respiratória, submetidos a ventilação e oxigenoterapia intensa.
    DIURÉTICO - Medicamento que serve para urinar mais e eliminar o excesso de liquido.

    E

    EDEMA (Inchaço) - Aumento de volume dos tecidos, devido a uma excessiva acumulação de líquidos.
    ELECTROCARDIOGRAMA (ECG) - Registo gráfico da actividade eléctrica do coração.
    ELECTROENCEFALOGRAMA (EEG) - Registo gráfico da actividade eléctrica do cérebro.
    ENTEROCOLITE NECROSANTE (NEC) - Doença grave do aparelho gastroentestinal, comum nos prematuros. Consiste numa inflamação dos intestinos que causa a destruição dos tecidos comprometidos.
    ENTUBAÇÃO - Inserção de um tubo na traqueia, através do nariz ou da boca, para assistir a respiração.
    EXSANGUINEOTRANSFUSÃO - Procedimento para tratar os efeitos da icterícia, infecção ou toxicidade grave, que consiste na troca lenta e sucessiva de pequenas fracções de sangue do bebé por sangue compatível.

    F

    FOTOTERAPIA - Procedimento terapêutico que consiste em colocar o bebé despido com os olhos e os genitais cobertos sob uma luz fluorescente (radiação ultravioleta), para reduzir o nível de bilirrubina no sangue.
    FREQUÊNCIA CARDÍACA - Número de batimentos cardíacos num minuto.
    FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA - Número de vezes em que se respira num minuto.

    G

    GASOMETRIA - Consiste na colheita de uma amostra de sangue arterial ou venoso para leitura do pH e dos valores dos gases sanguíneos (oxigénio, dióxido de carbono, ...).
    GAVAGEM - Quando o bebé ainda não tem desenvolvido os reflexos de sucção ou por qualquer outra razão não pode ser alimentado ao peito ou através de biberão é alimentado através de um tubo flexível de polietileno (sonda) que passa através da boca ou do nariz e desce até ao estômago.

    H

    HIDROCEFALIA - O termo hidrocefalia vem do Grego e significa "água na cabeça". Na realidade a água é liquido cefalorraquidiano, um líquido claro que é constantemente produzido nas cavidades, ou ventrículos, no interior do cérebro. Ele passa de um ventrículo para o seguinte (quatro no total) através de canais estreitos, circulando depois na superfície do cérebro - uma pequena parte desce pela espinal-medula - e é absorvido no sistema sanguíneo. Esta absorção realiza-se por veias especializadas dentro do crânio as quais têm uma superfície semelhante a uma peneira. Apesar de muito mais lentamente que a circulação do sangue, o liquido cefalorraquideano está em constante produção, circulação e reabsorção. A hidrocefalia pode resultar de excesso de produção de liquido cefalorraquidiano (muito raro), ou quando é impedida a sua circulação ou absorção.
    HIPOTONIA - Diminuição anormal do tonus muscular.

    I
    .
    ICTERÍCIA (Neo-natal) - Coloração amarelada da pele e das mucosas que acontece quando o fígado do bebé ainda está imaturo e não é capaz de processar a bilirrubina que se acumula no sangue. O tratamento é geralmente feito através da fototerapia.
    IDADE CORRIGIDA - Idade que o bebé prematuro teria se tivesse nascido na data do parto prevista inicialmente.
    IDADE GESTACIONAL - Idade em semanas e dias desde o início da última menstruação.
    INCUBADORA - Aparelho no qual os bebés são isolados do meio exterior e no qual são mantidos, através da criação de um ambiente controlado e mais favorável.

    L

    LANUGO - Pelo fino, suave e de cor clara, que cobre o corpo do feto e de alguns prematuros.
    M
    MASTITE - Inflamação das glândulas mamárias.
    MECÓNIO - Material fecal de cor verde a negro (composto por bílis e muco) que constitui as primeiras fezes do recém-nascido e que se excreta durante ou pouco depois do parto.
    MENINGITE - Inflamação das meninges, a membrana que cobre e protege o cérebro e a espinal medula, causada por um vírus ou por uma bactéria.
    MÉTODO CANGURU - Método em que se coloca o bebé contra o peito dos pais, com a finalidade de estabelecer o contacto pele com pele.
    MONITORES - Aparelhos que registam e vigiam os batimentos cardíacos, a respiração, a temperatura, a tensão arterial e os níveis de oxigénio, mediante sistemas não invasores, o que quer dizer que não causam dor porque estão colados na superfície da pele do bebé.
    O

    OXIGENOTERAPIA - Qualquer procedimento em que se administra oxigénio suplementar a um bebé.
    OXIMETRO DE PULSO - Aparelho capaz de medir a quantidade de oxigénio no sangue.

    P

    PNEUMONIA - Infecção dos pulmões que provoca dificuldade respiratória, tosse, dor torácica e febre.
    PNEUMOTÓRAX - Situação patológica na qual o ar passa dos pulmões para a cavidade torácica e comprime os pulmões e o coração. Normalmente esse ar tem de ser extraído.
    PUNÇÃO LOMBAR - Técnica diagnostica em que é extraido liquido cefalorraquideo através da introdução de uma agulha no espaço entre duas vértebras lombares até à zona que contém o liquido cefalorraquideo.

    R

    RETINOPATIA DA PREMATURIDADE - Doença da retina do olho que afecta principalmente os bebés prematuros.

    S

    SÉPSIS - Presença de agentes infecciosos(bactérias, fungos, etc. ) ou das suas toxinas na corrente sanguínea.
    SÍNDROME DE DIFICULDADE RESPIRATÓRIA (SDR) - Alteração respiratória dos pulmões imaturos, causado pela deficiência de surfactante.
    SONDA NASOGÁSTRICA / OROGÁSTRICA - Tubo estreito e flexível que se introduz no estômago através do nariz ou da boca, usado para administrar nutrientes ou para extrair ar ou líquidos do estômago.
    .
    SURFACTANTE - Substância que ajuda a manter distendidos os pequenos alvéolos pulmonares, evitando o seu colapso. Normalmente é sintetizado nos pulmões. Pode-se administrar surfactante exógeno em bebés com Síndrome de dificuldade respiratória (SDR).

    T

    TENSÃO ARTERIAL - Pressão que exerce o sangue nas paredes das artérias.
    TRANSFUSÃO SANGUÍNEA - Administração de sangue de um dador são a um doente.
    TUBO ENDOTRAQUEAL - Tubo pequeno que se introduz na traqueia através da boca ou do nariz para administrar ar ou oxigénio nos pulmões.

    V

    VENTILADOR - Aparelho usado para manter um fluxo normal de ar nos pulmões.

    No contexto mundial, o tipo mais frequente de câncer em crianças e adolescentes é a leucemia. Dados norte-americanos mostram que cerca de 3...

    Artigo: Insuficiência Respiratória em Crianças com Leucemia Aguda



    No contexto mundial, o tipo mais frequente de câncer em crianças e adolescentes é a leucemia. Dados norte-americanos mostram que cerca de 30% dos tumores na infância são leucemia. No Brasil, observou-se também o predomínio das leucemias como tumor mais frequente, com percentual mediano de 29%. A maior incidência ocorreu na faixa etária de 1 a 4 anos, com percentual mediano de 31,6% (1).

    As taxas de sobrevida aumentaram bastante nas últimas décadas, graças ao uso de terapia combinada e de avanços no uso de agentes quimioterápicos. A sobrevida após 5 anos, de cerca de 4% na década de 60, passou para 73% na década de 80, dependendo do tipo de leucemia(2). A combinação de quimioterápicos novos, radioterapia, transplantes de medula óssea, melhor suporte de terapia intensiva, desenvolvimento de centros especializados e abordagem multidisciplinar fez com que ocorressem enormes avanços no tratamento tanto da patologia de base como das complicações decorrentes de sua terapia(3).


    O tratamento poliquimioterápico tem como objetivos induzir uma remissão clínica e hematológica, manter a remissão, prevenir a recorrência em sistema nervoso central (SNC) e tratar as complicações da terapia e da doença. O transplante de medula óssea (TMO) para os casos de Leucemia Mieloide Aguda (LMA) em primeira remissão tem sido indicado na maioria dos centros especializados, porém seu papel na Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) é controverso. Nestes casos, a única indicação considerada consenso é para as crianças em primeira remissão que apresentem uma fusão cromossômica específica (denominada cromossomo Philadelphia)(2).

    Aperfeiçoamento 100% online de Fisioterapia em oncologia

    Apesar da elevada taxa de sobrevida observada atualmente, os benefícios do tratamento intensificado para a leucemia aguda devem ser pesados contra os consequentes riscos aumentados de sua toxicidade(4). Em um acompanhamento em longo prazo da função pulmonar de crianças submetidas a tratamento para LLA, que não incluía transplante de medula óssea ou irradiação em medula espinhal, foram observadas alta incidência de insuficiência ventilatória subclínica, do tipo restritiva, e uma alta frequência de padrões restritivos na curva fluxo-volume. Tais alterações mostraram relação direta com menor idade à época do tratamento e à intensidade do tratamento utilizado, com altas doses cumulativas de alguns quimioterápicos específicos e maior frequência no uso de irradiação craniana(5).

    Complicações pulmonares são frequentemente encontradas em pacientes com leucemia aguda, apresentando uma incidência de 40%(6). Elas são normalmente causadas por um dos cinco mecanismos patogênicos seguintes: extensão da doença de base para os pulmões; infecções oportunistas; reação pulmonar à terapia (drogas, irradiação ou transplante de medula óssea); um processo patológico novo, não-relacionado; ou qualquer combinação destes mecanismos(7). Os processos infecciosos são a causa em 92,4% dos casos(6).

    Devido ao elevado grau de comprometimento da qualidade de vida e à alta taxa de mortalidade relacionados às alterações pulmonares observadas em pacientes com leucemia, o objetivo do presente estudo foi avaliar a ocorrência, as características e o manejo da insuficiência respiratória em crianças com leucemia aguda.

    MATERIAIS E MÉTODOS

    Os artigos selecionados para esta revisão foram pesquisados no dia 22 de março de 2011, a partir de um computador da biblioteca do Hospital do Câncer I (Instituto Nacional de Câncer/INCA), na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A base de dados eletrônica consultada foi a MEDLINE/Pubmed, através das seguintes palavras-chave: "respiratory failure in children with acute leukemia". Foram encontrados 90 artigos relacionados. Os critérios de inclusão para esta revisão foram: estar diretamente relacionado ao tema; estar escrito em português, inglês ou espanhol; e ser de acesso livre e gratuito. Sessenta e três artigos não se enquadraram nos critérios propostos, restando, então, 27 artigos para serem inseridos neste trabalho.

    CLASSIFICAÇÃO DA LEUCEMIA

    As leucemias são classificadas como agudas e crônicas, tomando-se como base o nível de maturação da população neoplásica. As do tipo aguda, que são objeto deste estudo, caracterizam-se por um grave defeito de maturação, induzindo a um acúmulo de células imaturas (blastos). A diferenciação entre linfocítica e não-linfocítica (ou mieloide) é feita pela análise da morfologia dos blastos da medula óssea(2).

    Na faixa etária pediátrica, o mais comum são as leucemias agudas, sendo a do tipo linfocítica aguda (LLA) a mais incidente (85% dos casos). A leucemia não-linfocítica (mieloide) aguda (LMA) ocorre em 20% dos casos. Apenas de 3 a 5% dos casos de leucemia mieloide crônica (LMC) ocorrem em crianças, sendo que 80% destes são em crianças com mais de 4 anos(2).

    FATORES DE RISCO PARA LEUCEMIA

    Os determinantes de risco para a LMA em crianças menores de 5 anos associados à exposição dos pais são o tabagismo, o uso materno de maconha durante a gravidez e a exposição a pesticidas(2). Outros fatores, associados às LLA, são o tabagismo, idade materna, antecedentes maternos de aborto e/ou filhos nascidos mortos, nível educacional dos pais e exposição ocupacional (como indústrias químicas, metalúrgicas e que propiciam exposição a pesticidas). Alguns fatores estão relacionados a antecedentes genéticos, como síndrome de Down, síndrome de Schwachman-Diamond e anemia de Falconi, e antecedentes familiares, como a presença de irmão gêmeo com LLA. Há ainda uma associação de maior risco de leucemia com sobrepeso ao nascer, ordem de nascimento na constelação familiar e exposição intra-útero a raio-X(2).

    INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA DE ORIGEM INFECCIOSA

    As principais alterações imunológicas que predispõem a criança em tratamento para leucemia são: granulocitopenia; defeitos na função das células T e B; e alterações causadas pelo rompimento das barreiras tegumentares e mucosas normais. As infecções virais são as que mais comumente afetam os pacientes imunocomprometidos, especialmente por Pneumocystis carinii(8).

    Nas fases precoces do tratamento, as complicações tóxicas são primeiramente os eventos infecciosos(4). No início do tratamento, a insuficiência da medula óssea devido à infiltração leucêmica é o principal problema. Já na fase de consolidação, a supressão medular e a toxicidade pulmonar e sistêmica cumulativa devido à quimioterapia intensiva facilitam a ocorrência de pneumonias fúngicas oportunísticas, bem como outras complicações infecciosas e não-infecciosas. Entretanto, na fase de maturação, na qual a intensidade do tratamento diminui, a frequência de complicações pulmonares infecciosas é menor e elas podem ser tratadas mais rapidamente e com mais sucesso com antibióticos orais(6). Os quadros infecciosos podem também levar à obstrução em vias aéreas superiores, comprometendo ainda mais o quadro do paciente, inclusive podendo levar à necessidade de entubação naso/orotraqueal ou à traqueostomia(9).

    A pneumonia é a complicação respiratória de origem infecciosa mais comum, com uma incidência de 17,2% a 34% e uma taxa de mortalidade de 6,4% a 22% na população pediátrica com esta patologia. Os principais fatores relacionados à mortalidade são: necessidade de ventilação mecânica; necessidade de fluxo > 3l/min via cânula nasal para ter uma SpO2 > 95%; submissão a TMO; a extensão dos infiltrados pulmonares no momento do estabelecimento da pneumonia; score radiográfico alto; neutropenia; frequência respiratória elevada; ausência de remissão completa; taquicardia; infiltrados pulmonares desenvolvidos a mais de 14 dias após a admissão; sepse; choque; e presença de comorbidades(6,10). O estudo de Randle e cols, em 1996, evidenciou que a necessidade de oxigênio suplementar é o principal fator preditivo de mortalidade. Tal requisição refletiria os sinais precoces de comprometimento severo da relação ventilação-perfusão ou shunt intrapulmonar, que são aspectos comuns da Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA)(10). A fisiopatologia dos quadros de pneumonia em crianças com leucemia, especialmente os desencadeados por Pneumocystis carinii, envolve: adesão dos microorganismos às células alveolares, com necrose focal; aumento da permeabilidade capilar; lesão à membrana basal; e consequentes transudato e exsudato de componentes plasmáticos. A deposição de debris celulares nos alvéolos contribui para a piora da troca gasosa. Nestes casos, geralmente torna-se necessário o uso de ventilação mecânica com altas pressões positivas para se obter uma oxigenação satisfatória, aumentando o risco de barotrauma(4).

    A infecção por adenovírus tem se tornado uma complicação relativamente frequente em crianças submetidas a TMO, e sua manifestação sintomática apresenta uma taxa de mortalidade de 10 a 40%. Rector e cols, em 2002, relataram um caso letal de um menino de 8 meses de idade, com diagnóstico de leucemia mielomonocítica juvenil, submetido a transplante de células-tronco em sangue periférico, que desenvolveu uma infecção por adenovírus tipo 2 disseminada, cursando com hipoxemia e edema pulmonar, com insuficiência respiratória e necessidade de ventilação mecânica(11). Segundo Randle e cols, a taxa de mortalidade nos pacientes submetidos a TMO é de cerca de 58%, comparada com a de 22% naqueles que não o receberam. Tal diferença provavelmente se deve ao fato de que o regime de indução usado na preparação para o transplante aumenta a suscetibilidade ao desenvolvimento de edema pulmonar não-cardiogênico e pneumonia(10).

    A bacteremia causada por estreptococos do grupo Viridans também é uma causa importante de infecção em crianças com câncer e nas submetidas a transplante de células-tronco. Pacientes com este tipo de infecção são reconhecidamente um grupo de risco para o desenvolvimento de uma síndrome tóxica do tipo choque, conhecida como Síndrome de Choque por Estreptococo Viridans (ou VSSS, na sigla em inglês). Ela se caracteriza por hipotensão e SDRA, com uma taxa de mortalidade de 40% a 100%. Os fatores de risco para a bacteremia por este patógeno incluem grau de neutropenia, mucosite oral, administração de altas doses de citarabina, profilaxia antimicrobiana com cotrimoxazole ou fluoroquinolone, diagnóstico de LMA e administração de anticorpo antilinfócito monoclonal. O estudo de Gassas e cols, em 2004, apresentaram uma incidência de 18% de VSSS entre as crianças com câncer e as submetidas a transplante de células-tronco, e que apresentavam o quadro de bacteremia por estreptococo Viridans(12).

    A recente pandemia de influenza A (H1N1), ocorrida em 2009, evidenciou uma significativa taxa de morbidade e mortalidade, principalmente nos casos graves, que podem levar à insuficiência respiratória aguda e à necessidade de ventilação mecânica invasiva ou não-invasiva. O impacto desta infecção nas crianças com câncer ainda não está definido, porém uma série de casos de Elbahlawan e cols, em 2011, abrangendo 5 crianças com esta patologia (sendo 2 com LLA), evidenciou quadros de hipoxemia severa, com relação PaO2/FiO2 média de 56. No grupo estudado, todos necessitaram de ventilação mecânica invasiva, com parâmetros elevados e com terapias adjuvantes (ventilação de alta frequência, óxido nítrico ou surfactante). Entretanto, devido à terapêutica agressiva instituída, todos apresentaram bom desfecho e receberam alta hospitalar sem complicações. Segundo os autores, as crianças com câncer (incluindo a leucemia) e com insuficiência respiratória aguda associada à H1N1 podem desenvolver uma doença mais severa, com hipoxemia mais pronunciada, mas com resultados favoráveis(13).

    INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA DE ORIGEM NÃO-INFECCIOSA

    Dentre os processos não-infecciosos, os quais podem simular uma infecção e complicar o trabalho diagnóstico, destacam-se hemorragia pulmonar, edema pulmonar, lesão pulmonar induzida pelas drogas medicamentosas, pneumonite por irradiação, infiltração leucêmica no pulmão, pneumotórax, tromboembolismo pulmonar, leucostase e doença enxerto-contra-hospedeiro(6,8).

    Os quimioterápicos podem produzir problemas pulmonares direta ou indiretamente. No primeiro caso, os efeitos podem ser por pneumonite/fibrose crônica ou reação de hipersensibilidade. Os pacientes apresentam tosse seca, dispneia e febre, que podem aparecer dias a meses após a exposição às drogas. Já no segundo caso, os problemas ocorrem devido à mielossupressão, resultando em hemorragia pulmonar, ou a efeitos cardíacos (edema pulmonar cardiogênico)(8).

    A hemorragia direta no parênquima pulmonar é uma complicação potencialmente séria da leucemia. Ela pode estar relacionada a outras condições patológicas, tais como infecção, infiltração leucêmica direta ou trombocitopenia. Entretanto, pacientes com contagem de plaquetas normal ou mesmo elevada podem apresentar tendência a sangramentos generalizados, tendo este fato sido atribuído a defeitos qualitativos das plaquetas, incluindo agregação plaquetária deficiente e morfologia anormal(14). Um fator complicador à hemorragia pulmonar é quando ocorre também hemorragia em retrofaringe e laringe, aumentando o risco de dificuldade respiratória e possível asfixia(9).

    A inserção de cateter venoso central é um procedimento necessário durante o tratamento da leucemia. Entretanto, obstrução aguda de vias aéreas pode ser uma complicação precoce ou tardia deste procedimento. A formação de hematoma cervical pode causar obstrução respiratória aguda, requerendo imediata entubação traqueal. A cateterização de veia jugular interna pode ser complicada por hemoptise, hematoma cervical e obstrução de via aérea, possivelmente devido a uma fístula envolvendo a veia, a artéria carótida e a traqueia. Além disso, a inserção de cateter em subclávia em pacientes trombocitopênicos pode resultar em hematoma mediastinal, derrame pleural bilateral e pneumotórax, levando a desconforto respiratório grave(14).

    As principais complicações pulmonares não-hemorrágicas da LLA incluem compressão traqueal, síndrome de veia cava superior (SVCS), infiltração leucêmica e leucostase. A compressão traqueal pode ser secundária a uma massa mediastinal ou a linfadenopatia. A SVCS caracteriza-se por uma compressão das vias aéreas decorrente de uma veia cava superior obstruída e distendida(14).

    A irradiação proveniente da radioterapia e o uso de agentes quimioterápicos são há muito tempo reconhecidos como fatores predisponentes aos riscos de desenvolvimento de doenças pulmonares graves(4). Além disso, tem sido significante a associação de transplante de células-tronco hematopoiéticas (como o transplante de medula óssea) com complicações pulmonares, tais como bronquiolite obliterante e fibrose pulmonar, as quais levam a um prognóstico ruim, com apenas 35% de casos de sobrevida após 3 anos do diagnóstico(15). Tudo isso pode produzir uma situação em que a doença primária é curada, porém o paciente morre devido a complicações pulmonares de seu tratamento(16).

    Cerca de 20% dos casos de complicações pulmonares pós-TMO não são de origem infecciosa. A insuficiência respiratória hipoxêmica aguda é uma complicação grave do TMO e está associada com diversas anormalidades patológicas, incluindo lesão alveolar difusa (característica da SDRA), pneumonite intersticial não-específica, pneumonia infecciosa e hemorragia pulmonar(17). Os achados clínicos da hemorragia alveolar difusa (HAD) incluem tosse não-produtiva (normalmente sem hemoptise), dispnéia, hipoxemia, redução do hematócrito e infiltrados difusos na radiografia de tórax. Os sintomas frequentemente coincidem com a recuperação dos neutrófilos, em uma média de 1 a 3 semanas após o TMO(18).

    Outra complicação peculiar e grave da leucemia, e relacionada ao TMO, é a acidose lática do tipo B. Ela se torna ainda mais fatal quando associada à hipoglicemia refratária à terapêutica. Tal quadro pode levar a insuficiência respiratória central, com acidose respiratória associada, e necessidade de ventilação mecânica. O prognóstico destes casos é reservado(19).

    Há uma peculiaridade referente à leucemia promielocítica aguda, um subtipo de LMA. Este subtipo responde muito bem ao tratamento realizado com agentes antracíclicos associados ao ácido all trans retinoico (ATRA), com taxas de remissão completa superiores a 90%. Entretanto, de 6 a 27% dos pacientes desenvolvem a Síndrome do Ácido Retinoico (SAR), caracterizada por febre de origem inexplicada, ganho de peso, edema generalizado, insuficiência respiratória aguda, derrame pleural e/ou pericárdico, hipotensão arterial e insuficiência renal(20). Pode cursar com leucocitose e infiltração parenquimatosa por células mieloides maduras. A insuficiência respiratória é a manifestação mais grave de todas, com evolução variável(21). Seu diagnóstico é clínico, embora anormalidades radiológicas sejam comuns, tais como infiltrado pulmonar em vidro fosco, cardiomegalia, aumento do pedículo vascular pulmonar, linhas septais e derrame pleural. A mortalidade associada a SAR é alta (5% -18%)(20).

    A hiperleucocitose, definida como uma contagem de leucócitos maior do que 100 x 10*9/l, está frequentemente associada a morbidade e mortalidade precoces em crianças com leucemia aguda (22). Ela representa não só uma carga tumoral absoluta grande, como também é um fator de risco principal para complicações importantes e ameaçadoras à vida, tais como: leucostase pulmonar, anormalidades metabólicas, coagulopatia severa, falência de múltiplos órgãos e Síndrome de Lise Tumoral(23,24). A apresentação clínica da hiperleucocitose depende da linhagem celular de blastos leucêmicos (linfoide x mieloide), do número de blastos circulantes, da idade do paciente e seu performance status (PS), e da coexistência de desordens metabólicas e de coagulação. As hemorragias intracranianas e a insuficiência respiratória são os principais causadores de morte precoce nos casos de hiperleucocitose, devido à leucostase(24). Em um estudo feito com 48 pacientes com LMA e hiperleucocitose, observou-se uma associação significativa entre morte precoce e 5 características clínicas: idade, desconforto respiratório, insuficiência renal, sintomas neurológicos e presença de coagulopatia(24). O estudo de Bunin e cols, em 1985, evidenciou uma taxa de mortalidade precoce significativamente maior em crianças com leucemia não-linfoblástica aguda (LMA) que desenvolveram hiperleucocitose, em comparação àquelas com o tipo linfoblástica (LLA), tendo este fato sido atribuído ao desenvolvimento mais frequente de desordens sanguíneas severas naquele grupo(22). A frequência de hiperleucocitose em casos de crianças com LMA varia de 12% a 25%(24). Sinais e sintomas de leucostase pulmonar incluem dispneia, taquipneia, hipoxemia e infiltrados pulmonares à radiografia de tórax(23). Estes são causados por congestão pulmonar, dano alveolar e edema intersticial. Tal quadro pode levar à insuficiência respiratória grave e morte precoce(18). Entretanto, suas manifestações radiológicas e clínicas não diferem muito daquelas apresentadas nas complicações hemorrágicas ou infecciosas da leucemia aguda, o que dificulta seu diagnóstico e consequentemente atrasa a instituição da terapêutica adequada(24).

    O tromboembolismo pulmonar (TEP) é outro fator causador de morbidade e mortalidade em crianças com câncer. As causas dos eventos trombóticos são complexas, podendo estar relacionadas a diversos fatores característicos da patologia, tais como: uso de cateter venoso central (CVC), com a oclusão parcial ou total de vasos devido a agregados de fibrina ao redor do cateter; anormalidades de coagulação relacionadas à doença ou ao tratamento; uso de altas doses de drogas que podem afetar a coagulação ou o endotélio vascular; lise tumoral rápida; estados pré-trombóticos adquiridos ou previamente presentes; trombogenicidade da hiperalimentação intravenosa (por lesão endotelial direta secundária a infusão hiperosmolar); e microagregados plaquetários decorrentes de transfusões(25). No estudo de Uderzo e cols, em 1995, a maioria dos casos de insuficiência respiratória aguda devido a TEP iniciou-se de poucos dias a poucas semanas após o início de lise tumoral induzida por quimioterapia e se desenvolveu mais precocemente nos pacientes com maiores contagens iniciais de células brancas sanguíneas(25).


    Sabe-se que as transfusões sanguíneas são recursos terapêuticos valiosos usados no manejo da criança com leucemia. No entanto, a lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI, na sigla em inglês) é um evento adverso de risco, que foi recentemente identificado como uma causa importante de mortalidade associada a este procedimento. Ela ocorre durante ou até 6 horas após a transfusão sanguínea, e os sinais e sintomas típicos são desconforto respiratório agudo, edema pulmonar não-cardiogênico, hipóxia e, frequentemente, hipotensão e febre. A radiografia torácica geralmente revela infiltrados intersticial e alveolar bilaterais. As reações imunes adversas induzem ao aumento da permeabilidade capilar pulmonar e, consequentemente, ao edema pulmonar. A TRALI tem sido descrita como ocorrendo após a infusão de qualquer componente sanguíneo contendo plasma. Entretanto, Yui e cols, em 2007, descreveram um caso de TRALI após infusão de células medulares em uma criança de 10 anos de idade com LMA. Ela iniciou um quadro de tosse severa, aumento na produção de secreção, taquipneia e queda de saturação periférica de O2 (SpO2) cerca de duas horas após o início da infusão. Apesar da terapêutica instituída, evoluiu com rebaixamento do nível de consciência e oligúria, necessitando de ventilação mecânica invasiva, o que evidencia a gravidade de tal complicação(26).

    MANEJO DA INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA

    As doenças hematológicas severas estão associadas com taxas de mortalidade e morbidade consideráveis, relacionadas tanto à própria doença quanto ao tratamento aplicado(27). As complicações associadas a essas patologias, com variados níveis de gravidade, muitas vezes requerem a internação dos pacientes em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), principalmente quando há necessidade de instituir o suporte com ventilação mecânica invasiva. Em um estudo realizado com uma população heterogênea de pacientes portadores de patologias hematológicas, incluindo uma grande porcentagem de crianças com leucemia aguda, foi evidenciado que 41% dos casos faleceram dentro de 60 dias contados a partir da admissão à UTI, e os fatores significativamente associados a essa mortalidade foram o uso de drogas vasopressoras e de ventilação mecânica. Os pacientes admitidos por septicemia e insuficiência respiratória (este último correspondendo a 31% dos casos) tiveram uma mortalidade muito mais alta do que aqueles admitidos por todas as outras razões combinadas(27). Os casos de insuficiência respiratória que requerem ventilação mecânica apresentam uma taxa de mortalidade de 75% a 96% entre aqueles pacientes com câncer ou alterações imunológicas(18).

    O tratamento da doença de base mostra uma relação significativa com a incidência de admissão à UTI. Os pacientes receptores de TMO alogênico apresentam maior incidência (cerca de 27%) do que os receptores do tipo autógeno (10%) ou os submetidos a quimioterapia (18%)(27). As principais razões de admissão de pacientes em UTI pós-TMO são insuficiência respiratória, choque séptico ou cardiogênico, insuficiência hepato-renal e eventos intracranianos agudos(28). No estudo de Hayes, em 1998, com 44 crianças admitidas na UTI pediátrica pós-TMO, 34 apresentavam diagnóstico de leucemia (cerca de 78%). Cerca de 52% do total de casos foram internados devido à insuficiência respiratória e 75% requereram ventilação mecânica, com uma duração média de 5 dias. Os fatores relacionados a pior prognóstico foram pneumonite viral comprovada e lesão pulmonar(28).

    Infelizmente, em muitos casos, a estratégia de se usar ventilação mecânica invasiva não é terapêutica, mas apenas para suporte de vida, e a decisão sobre a instituição ou não de tal recurso torna-se muito difícil(27). É necessário que sejam estabelecidos critérios para seleção de pacientes que realmente se beneficiariam de tal decisão, baseando-se em fatores indicativos de melhor prognóstico, a fim de que não se institua uma terapia intensiva apenas para prolongar a vida e que acabaria por prolongar também o sofrimento do doente e de sua família(28). Hayes sugere que, nos casos que apresentam os fatores de risco para pior prognóstico e que requerem ventilação mecânica, a duração do suporte seja restrita quando não há melhora dentro de 72 horas(28).

    Por outro lado, a utilização de ventilação não-invasiva (VNI) pode ser uma excelente alternativa de suporte para alguns casos de insuficiência respiratória aguda. Nos pacientes imunocomprometidos, a escolha por VNI poderia evitar as complicações relacionadas à entubação traqueal (como sangramento, barotrauma e infecção), melhorando o prognóstico(29). Marino e colaboradores, em 1997, relataram o caso de uma menina de 4 anos de idade, com diagnóstico de LLA, que apresentou um quadro de SDRA de origem séptica quando em remissão após a fase de reindução da terapia. O quadro inicial era de hipóxia severa não-responsiva à administração de O2 suplementar, hipocapnia, taquipneia, taquicardia e febre. A gasometria arterial evidenciou acidose metabólica severa. Foi iniciada a VNI usando dois níveis pressóricos (BiPAP, na sigla em inglês), através de máscara nasal. A criança permaneceu na VNI por 24 horas consecutivas, e depois foi iniciado um esquema intermitente com O2 via máscara de Venturi. Após 7 dias, a criança permaneceu apenas com suporte de O2 através de máscara. A única complicação observada foi uma pequena lesão de pele na região da ponte nasal após dois dias de tratamento, e que poderia ser evitada com melhor proteção da pele na interface com a máscara. Assim, a VNI pode ser considerada uma ferramenta importante no manejo de crianças com patologias malignas hematológicas que desenvolvem insuficiência respiratória, com menores riscos de complicações(29).

    Uma alternativa à ventilação mecânica convencional é o uso de ventilação de alta frequência (VAF), que pode ser aplicada em crianças com hemorragia alveolar difusa pós-TMO. Seu objetivo é recrutar e manter um volume pulmonar "ideal" e favorecer a troca gasosa enquanto minimiza a lesão pulmonar(18).
    A complexidade do quadro clínico apresentado pelas crianças com leucemia e que desenvolvem complicações pulmonares muitas vezes requer a aplicação de procedimentos invasivos. A cirurgia torácica pode ser utilizada para fins diagnósticos, como coleta de material para biópsia, ou terapêuticos, para ressecção de tecido tumoral. Entretanto, as condições clínicas dos pacientes, envolvendo fatores de risco como desordens de coagulação, trombocitopenia, predisposição a complicações infecciosas e tempo prolongado de internação pós-operatória em UTI, podem fazer com que se discuta mais aprofundadamente a real necessidade do procedimento. Segundo Habitch e colaboradores, a mortalidade precoce pós-cirurgia torácica em pacientes com leucemia (inclusive crianças) está mais relacionada ao grau de comprometimento respiratório causado pela doença pulmonar em si do que à extensão da ressecção pulmonar ou aos fatores de risco associados à patologia e ao procedimento(7). A ressecção cirúrgica nos casos de patologia pulmonar localizada apresenta uma taxa de mortalidade e morbidade relativamente baixa, podendo ser realizada com fins terapêuticos e diagnósticos. Já nos casos de doença aguda difusa, a taxa de mortalidade precoce é alta, tornando-se questionável o benefício terapêutico da ressecção cirúrgica(7).

    As crianças que desenvolvem TEP devem ser imediatamente abordadas com suporte ventilatório e terapia trombolítica. Devido ao risco aumentado de sangramentos, elas devem ser cuidadosamente monitoradas quanto às condições clínicas e aos índices de coagulação, principalmente as que apresentam trombocitopenia(25). Na maioria dos casos relatados no estudo de Uderzo, o suporte ventilatório foi feito através de ventilação mecânica invasiva com pressão positiva, com parâmetros ventilatórios estabelecidos para manter uma PaCO2 de 30-35 mmHg e com fração inspirada de O2 (FiO2) e pressão positiva expiratória final (PEEP, na sigla em inglês) suficientes para assegurar um transporte de O2 adequado, com o mínimo de alteração hemodinâmica. Em casos de anormalidades pulmonares unilaterais, fez-se uso de ventilação sincronizada independente, através de entubação seletiva (tubo biluminal sem cuff e dois ventiladores sincronizados), reduzindo-se, assim, o barotrauma no pulmão menos comprometido(25).

    Conforme relatado anteriormente, a hiperleucocitose é outra complicação grave da leucemia e que deve ser abordada precocemente. O tratamento imediato padrão envolve a terapia de suporte clínico (fluidos intravenosos, alopurinol e correção da coagulopatia e da trombocitopenia) e a leucocitorredução. Esta última é alcançada através de leucaférese e hidroxiureia, seguidas de quimioterapia de indução. As vantagens da leucaférese baseiam-se no fato de que os blastos circulantes são removidos rapidamente, e que a remoção de grande número de células leucêmicas e a capacidade de administrar plasma fresco e eletrólitos em um único procedimento podem reduzir significativamente o risco de hemorragia e Síndrome de Lise Tumoral. Suas desvantagens são: requer a colocação de cateter venoso central; não é um procedimento que está sempre imediatamente disponível; e pode piorar a trombocitopenia, devido à remoção de um grande número de plaquetas juntamente com os leucócitos, durante o procedimento. Contudo, apesar de ser amplamente utilizada, ainda não há um consenso na literatura sobre parâmetros de início, duração e término da leucaférese(24).

    A doença pulmonar avançada decorrente do tratamento instituído para tumores hematológicos geralmente é progressiva. Isso faz com que muitas crianças sobrevivam ao tumor, mas morram por insuficiência respiratória. Nesses casos, o transplante pulmonar torna-se uma opção aceitável de tratamento. Porém, sua indicação permanece controversa, uma vez que são pacientes de alto risco, devido à sua capacidade imunológica presumidamente anormal. A imunossupressão adicional, necessária ao procedimento cirúrgico, poderia aumentar os riscos de complicações infecciosas pós-operatórias(15,16).

    O grupo de Pechet, em 2003, avaliou os resultados obtidos com um grupo de crianças com câncer (5 com leucemia e 1 com meduloblastoma) submetidas a transplante pulmonar, e que haviam previamente sido tratadas com quimioterapia, radioterapia e TMO. A função pulmonar destas crianças estava seriamente comprometida, com um volume expiratório forçado no 1ºsegundo (VEF1) de 17+-5% e uma capacidade vital forçada (CVF) de 28+-19% do predito. Duas crianças eram dependentes de ventilação mecânica invasiva e duas necessitavam de ventilação não-invasiva (VNI) pelo menos à noite. Os resultados mostraram que estes pacientes não apresentaram diferenças significativas na apresentação clínica pós-transplante. Porém, apresentaram menos episódios de rejeição aguda e uma incidência ligeiramente maior de infecções oportunistas. Assim, o transplante pulmonar seria um procedimento seguro de ser realizado nesta população, contudo faz-se necessário avaliar mais precisamente o estado imunológico anterior ao transplante, a fim de se estabelecer um regime específico de imunossupressão pós-operatória(16).

    Técnicas inovadoras também vêm sendo investigadas para melhor manejo da insuficiência respiratória em crianças com leucemia. A oxigenação extracorpórea por membrana (ECMO, na sigla em inglês, ou CEC) faz parte deste grupo de novas tecnologias. É uma técnica que usa uma máquina pulmão-coração modificada para prover suporte respiratório temporário para pacientes com insuficiência respiratória intratável. Ela fornece oxigênio suplementar suficiente para satisfazer as necessidades teciduais, enquanto os pulmões são gentilmente ventilados para prevenir o barotrauma e promover o reparo tecidual pulmonar(4). Entretanto, o quadro de citopenia, coagulopatia e imunossupressão, característico desta população de pacientes, seria um critério de contra-indicação à utilização desta técnica, devido ao risco aumentado de infecção e sangramento(4, 30). Neste contexto, têm-se pesquisado o real benefício desta técnica nesta população de pacientes. Lindén e cols, em 1999, utilizou a CEC como terapia de resgate em 4 crianças (sendo 3 com leucemia aguda) com insuficiência respiratória por pneumonia, e que não responderam à ventilação mecânica convencional. O período de CEC variou de 7 a 43 dias. Apesar de ser uma terapia demorada, ela se mostrou eficaz para manter uma oxigenação satisfatória enquanto o parênquima pulmonar se recuperava, e não esteve associada ao desenvolvimento de septicemia, justificando sua utilização segura neste grupo de pacientes. A função pulmonar destas crianças se normalizou dentro de 6 meses após a descontinuação da CEC, evidenciando ausência de sequelas a médio prazo(4). Já em 2009, Meister e colaboradores aplicaram a CEC em 4 crianças com leucemia por um período de 9 a 17 dias. Nenhuma delas apresentou infecção adicional durante a terapia e apenas uma apresentou sangramento. Duas crianças faleceram durante o tratamento, mas apenas uma morte esteve relacionada a complicações prováveis da técnica (sangramento maciço não-tratável). Os autores concluíram que sepse, neutropenia e trombocitopenia não devem ser consideradas contra-indicações absolutas à utilização da CEC, e que esta deve ser iniciada precocemente na presença de insuficiência respiratória ou hemodinâmica severa, refratária ao suporte convencional(30).

    CONCLUSÃO

    Com base no exposto acima, conclui-se que a insuficiência respiratória é uma complicação grave da leucemia aguda em crianças, com diversas etiologias, tanto decorrentes da patologia em si como do tratamento intensivo instituído para combater a doença de base. O arsenal terapêutico mostra-se vasto e deve ser aplicado com o intuito de, sempre que possível, alcançar uma melhor qualidade de vida para a criança e minimizar o risco de morte.

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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    Autor(es):

    BEATRIZ SILVA MENEZES DA CUNHA (1)

    Publicado em 24/02/12 e atualizado em 20/04/17

    O termo psicomotricidade se divide em duas partes: a motriz e o psiquismo, que constituem o processo de desenvolvimento integral da pess...

    Atividades de Psicomotricidade devem ser usadas por fisioterapeutas

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    O termo psicomotricidade se divide em duas partes: a motriz e o psiquismo, que constituem o processo de desenvolvimento integral da pessoa. A palavra motriz se refere ao movimento, enquanto o psico, determina a atividade psíquica em duas fases: a sócio-afetiva e cognitiva. Em outras palavras, o que se quer dizer é que na ação da criança se articula toda sua afetividade, todos seus desejos, mas também todas suas possibilidades de comunicação e conceituação.

    A Psicomotricidade, sustentada pela articulação entre o movimento, o intelecto e o afeto, colabora efetivamente na instrumentalização dos docentes que atuam como mediadores no processo ensino-aprendizagem dos alunos em tratamento de saúde, nos hospitais, ambulatórios ou domicílios.

    Aula de Psicomotricidade Prática

    Enfatizar a valorização do corpo na constituição do sujeito que aprende, contribui para intervenções mais assertivas e consistentes no processo de ensino-aprendizagem a partir de uma leitura integral do aluno.

    É preciso cada vez mais que os conhecimentos teóricos da área da Psicomotricidade, seja associada  à prática pedagógica vivenciada em hospitais e ambulatórios, abrindo espaço para que os profissionais das áreas da saúde e da educação multipliquem as possibilidades de alavancar o desejo de aprender e elevar a autoestima de crianças e jovens em tratamento de saúde.

    A psicomotricidade estimula-se através de jogos como por exemplo jogos funcionais ou motores, cuja função é dar harmonia aos gestos e aumentar a sua eficácia;

    Pode também recorrer-se a jogos simbólicos ou de imaginação, que favorecem a passagem do nível sensório-motor para o nível da representação;

    Por seu turno, os jogos de construção, permitem uma evolução mais rápida para uma adaptação mais precisa à realidade;

    Os jogos com regras, facilitam o desenvolvimento da cooperação.

    Para o fisioterapeuta que trabalha no desenvolvimento infantil, a aplicação de todo o conceito que envolve a psicomotricidade é um importante aliado para melhor tratamento de crianças.

    A abordagem fisioterapêutica tem a função de preparar a criança, manter ou aprimorar as funções já existentes, correlacionando os aspectos clínicos e atuando de forma global, aspectos motores e cognitivos, principalmente durante os atendimentos neurológicos infantis, por exemplo.

    Estude Psicomotricidade!

    Bebê prematuro é aquele que nasce antes das 37 semanas de gestação. Por isso, a maioria deles precisa ficar na unidade ...

    Bebês prematuros continuam desenvolvimento na UTI neonatal




    Bebê prematuro é aquele que nasce antes das 37 semanas de gestação. Por isso, a maioria deles precisa ficar na unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal antes ser levado para casa pela mãe. A espera pode ser de apenas alguns dias ou até mesmo de vários meses - o que muitas vezes gera angústia e dúvidas na família.

    O bebê pode ter problemas devido à imaturidade de algumas funções do corpo. O mais comum deles é a dificuldade respiratória, porque o pulmão ainda está pequeno e pode conter líquido. Normalmente, o recém-nascido recebe suporte respiratório na incubadora até que o órgão se desenvolva e ele consiga respirar sozinho.

    A incubadora ainda ajuda no aquecimento. A pele do prematuro é mais fina e, por isso, ele perde calor mais facilmente.

    Na UTI, o recém-nascido recebe o amparo para que possa se desenvolver gradualmente fora do útero. Conforme vai havendo o crescimento, ele vai amadurecendo. Respeita-se as etapas do bebê. Começamos com alimentação na veia para depois dar pela boca.

    O tempo que o bebê deve permanecer na UTI varia conforme o caso e sua precocidade. Os prematuros tardios, caso dos bebês próximos da 37ª semana, podem ficar somente alguns dias. Muitos deles nem passam pela UTI. Já nos casos mais extremos, como nos bebês com menos de 32 semanas, a permanência pode ser de vários meses.

    É também nos casos dos bebês mais precoces que estão as maiores chances de desenvolvimento de problemas graves. Eles podem apresentar distúrbios do metabolismo, como hipoglicemia, e ter as partes oftalmológica, auditiva, neurológica e imunológica comprometidas. As chances de ele pegar infecções são maiores com a imunidade mais baixa. Os problemas neurológicos e a falta de oxigênio podem levar a convulsões. Em cenários mais extremos, ele pode ter hemorragia intracraniana.

    Por conta desses riscos, é necessário o acompanhamento multidisciplinar do recém-nascido na UTI. "A maioria responde muito bem. Se considerarmos os bebês abaixo de 32 semanas, a taxa de sobrevida é de 95%. Abaixo de 30, 90%", afirma a médica.

    O tratamento, no entanto, não é isento de complicações. Nesse período, ele pode pegar uma infecção ou ter hemorragia. O prematuro não é estável. Principalmente nos primeiros 10 dias, é um estresse, mesmo.

    Após a alta do bebê, os pais devem reduzir o contato dele com visitas, para diminuir o risco de viroses. Além disso, o acompanhamento pediátrico é essencial. Isso é para qualquer criança, mas nos prematuros é bom que seja mais frequente até o quatro ou quinto ano. O pediatra determina se ele precisa de algum tratamento.

    Participação dos pais

    Embora a mãe receba alta normalmente entre 2 e 4 dias após o parto, o acompanhamento na UTI é permitido. A presença ajuda bastante, pelo contato afetivo. Os pais podem fazer carinho, conversar com o bebê.

    A técnica do canguru, em que os pais têm contato pele a pele com o bebê, é incentivada, quando liberada pelo médico. Ela ajuda no aquecimento e na saturação de oxigênio do bebê, que fica mais calmo e confortável. A técnica também melhora a produção do leite materno. É importantíssimo esse contato. Não só pela humanização, mas também pelo crescimento do bebê.

    Publicado em 17/08/12 e atualizado em 13/04/17

    É muito normal que os bebês tenham pés planos. O pé plano se define pela ausência do arco normal da planta dos pés das crianças. Sem este a...

    O pé chato em crianças


    É muito normal que os bebês tenham pés planos. O pé plano se define pela ausência do arco normal da planta dos pés das crianças. Sem este arco, as crianças caminham apoiando toda a planta do pé no chão, quando deveriam apoiar somente a ponta, o calcanhar e a borda externa dos pés. Não é um problema grave, mas constitui uma das consultas mais frequentes em ortopedia infantil.
    É muito normal que os bebês tenham pés planos. O acúmulo de gorduras, conciliada à debilidade dos ligamentos, fazem com que os pés dos bebês não apresentem o arco na planta dos pés. O arco se desenvolve pouco a pouco à medida que a musculatura dos pés dos bebês vão se fortalecendo. É somente a partir dos 2 ou 3 anos de idade, quando a criança já leva um ou dois anos caminhando que se poderá notar o arco interno em seus pés. Em alguns casos, os pais podem comprovar como aparece o arco somente quando a criança se põe na ponta dos pés. E em outros, pode-se ver o arco somente quando o pé da criança está apoiado. Tanto num caso como no outro, não é considerado normal, ainda que a criança não sinta dor. Se a criança apresenta dor nos pés, dor no tornozelo ou dor na "batata" da perna, pode ser sintomas do pé "chato". Nestes casos, os pais devem tirar suas dúvidas com o pediatra da criança, que irá avaliar se a criança precisa de atenção de um especialista ou não. Um diagnóstico adequado só pode ser determinado quando a criança começar a dar seus primeiros passinhos.

    Pé plano bebê

    Como corrigir o pé plano

    Os pés planos das crianças podem ser corrigidos com tratamentos simples, tendo como base a realização de exercícios que favoreçam o fortalecimento da musculatura da planta dos pés, como caminhar descalço na areia, caminhar na pontinha dos pés e pelo calcanhar, fazer movimentos circulares com as pontas dos pés, tentar pegar objetos com os dedos dos pés.

    Quando o "pé chato" é muito acentuado e flexível, pode provocar dores nas crianças. Além das dores, as crianças com pés planos podem sentir cãimbras musculares, assim como outros incômodos, por isso a necessidade de se levar a criança a um ortopedista infantil. Em casos como esse, o ortopedista pode, além dos exercícios, recomendar o uso de palmilhas ou de calçados ortopédicos para diminuir a dor. Somente em casos de pés planos graves, que provocam dores e alterações na caminhada das crianças, pode-se aconselhar um tratamento cirúrgico pelo especialista.

    Enquanto os ossos das crianças continuam crescendo, pode-se curar o pé plano. A idade máxima para reverter esse quadro é aos 15 anos.

    O melhor calçado para o pé plano

    Quando a criança começa, dos 9 aos 14 meses a querer levantar-se sozinha, a apoiar-se nos móveis e em tudo o que possa para estar de pé, é aconselhável que considere alguns conselhos quanto ao calçado que a criança deve utilizar. Primeiro, que o calçado seja leve e feito de um material poroso. Segundo, que a sola do calçado seja plana, flexível, e que ofereça aderência. As laterais do calçado devem ser firmes e a ponta do pé de uma forma quadrangular, e não estreita. É preferível que tornozelo esteja livre e que troque os calçados antes que a criança se queixe de que seus dedos fazem pressão na frente.

    É importante também saber que não se deve obrigar um bebê a caminhar antes do tempo. Isso pode representar um grande esforço para ele, e gerar alguns problemas.

    Faça Fisioterapia