Miotonia é o fenômeno resultante da diminuição da velocidade de relaxamento do músculo após contração voluntária (miotonia de ação), estím...

Doença de Becker e a Fisioterapia

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Miotonia é o fenômeno resultante da diminuição da velocidade de relaxamento do músculo após contração voluntária (miotonia de ação), estímulo mecânico (miotonia de percussão) ou estimulação elétrica, quando se observa atividade elétrica repetitiva das fibras musculares na eletromiografia.

As duas maiores formas de miotonia congênita são doença de Thomsen e doença de Becker. Elas são diferenciadas pela severidade dos sintomas e padrão de herança. A doença de Becker, de herança autossômica recessiva, aparece mais tardiamente na infância e causa mais rigidez muscular que a doença de Thomsen (autossômica dominante), sendo que alguns individuos podem apresentar fraqueza muscular (o que não ocorre na doença de Thomsen).

Os sintomas da doença de Becker, normalmente começam durante a infância, mas a condição pode não se tornar muito aparente por alguns anos. Os sintomas geralmente incluem:
  • Demora para andar e correr em crianças jovens.
  • Fica desajeitado sem explicação.
  • Cólicas durante exercícios físicos.
  • Dificuldade de participar de esportes na escola.
  • Músculos fracos perto do torso.
  • Aumento do tamanho das panturrilhas.
  • Dificuldade ao levantar peso e subir escadas.
  • Dificuldade para se levantar depois de uma queda.
  • Perda da habilidade de andar.
  • Problemas cardíacos.
  • Dificuldades para aprendizado e comportamentos diferentes.
Não há cura para a distrofia muscular de Becker. O tratamento visa dar suporte para o paciente e melhorar sua qualidade de vida e nisso o fisioterapia pode ajudar o portador.

Como a fisioterapia pode ajudar? É importante saber a fraqueza muscular progressiva dos músculos das pernas e da pelve associada à perda de massa muscular (emaciação). Essa fraqueza também atinge os braços, o pescoço e outras áreas, mas não de forma tão intensa como ocorre na metade inferior do corpo.

Os músculos das panturrilhas inicialmente aumentam de tamanho (como uma tentativa do corpo para compensar a perda de força muscular) e o tecido dos músculos aumentados é, eventualmente, substituído por gordura e por tecido conjuntivo (pseudo-hipertrofia). As contraturas musculares ocorrem nas pernas e nos calcanhares, provocando uma falta de habilidade para utilizar os músculos, por causa do encurtamento das fibras musculares e da fibrose do tecido conjuntivo.

O desenvolvimento dos ossos é anormal, provocando deformidades do esqueleto do tórax e de outras áreas. A cardiomiopatia ocorre em quase todos os casos e o distúrbio também pode vir acompanhado de retardo mental, que não é inevitável e não piora no curso da doença. A causa deste enfraquecimento é desconhecida.

A fisioterapia tem muitos recursos para amenizar o qe essa doença causa ao portador. Mãos a obra!

Uma criança inquieta, que na escola mal para sentada na cadeira, é uma forte candidata a receber um diagnóstico comum no Brasil: T...

Como tratar hiperatividade sem remédio



Uma criança inquieta, que na escola mal para sentada na cadeira, é uma forte candidata a receber um diagnóstico comum no Brasil: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), tratado, na maioria dos casos, com remédios tarja preta. Houve um tempo em que os psicofármacos usados no tratamento, como a famosa ritalina, até se esgotavam nas farmácias brasileiras. Esse tempo passou.  

Não que o TDAH tenha saído da agenda dos profissionais da educação ou da rotina dos pais desesperados por uma cura para o "mau comportamento" dos filhos. O que aconteceu foi que começaram a surgir alternativas aos medicamentos, que apresentam efeitos colaterais fortes, como taquicardia e insônia. A modernização das terapias para exercitar o cérebro, como o método Neurofeedback, tem apontado um outro caminho possível para "medicar" de forma natural quem tem o transtorno.

Neurofeedback pode ser uma alternativa aos remédios

A proposta do Neurofeedback, que teve sua origem no Japão, é treinar o intelecto para que o paciente consiga sustentar um determinado esforço mental por mais tempo. Ou seja, se a intenção dele for fazer uma tarefa inteira em sala de aula, com os meses de prática o cérebro vai saber como atingir esse objetivo. Chega a um ponto em que o raciocínio passa a se manter estável, evitando interrupções seguidas, como ocorre com quem tem TDAH.  

Para alcançar um bom nível de concentração, no treinamento do Neurofeedback a criança fica conectada a um computador. As ondas cerebrais são medidas com ajuda de eletrodos. Quando o software detecta desatenção, imediatamente envia um sinal. Ao longo de dezenas de sessões, o jovem aprende a se controlar.

Neurofeedback no Brasil

Pediatra há 20 anos, Valéria Modesto, pós-graduada em Neurociências pelo Instituto D'Or, no Rio de Janeiro, já trabalha com Neurofeedback no Brasil. Ela faz atendimentos clínicos na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Os pacientes têm respondido bem às intervenções terapêuticas.

A especialista enfrenta resistência entre a classe médica com o projeto que criou em 2011 para cuidar de pessoas com TDAH, o "Mente Confiante", mas diz que não vai desistir. "Os resultados são percebidos a partir da décima segunda sessão. A pessoa melhora o foco, reduz a ansiedade e entende melhor suas emoções", explica.

Convencida das possibilidades do Neurofeedback, Modesto diz que a aplicação das técnicas provoca outras mudanças, como "controle da tensão muscular, sudorese, frequência cardíaca e modulação do ritmo biológico do sistema nervoso central". Os efeitos, de acordo com ela, permanecem de um a dois anos.

Luta contra os medicamentos

A terapia livre de químicos é defendida por muitos especialistas justamente porque continua fazendo efeito sobre o paciente mesmo depois de concluídas as séries de exercícios de estimulação cerebral.

Para a professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Maria Aparecida Moysés, o diagnóstico precipitado do TDAH com a prescrição de medicamentos pode inclusive mascarar o diagnóstico de outras doenças. "Esse diagnóstico, que é um rótulo, não ajuda. Não podemos sedar o sofrimento. Muitos profisionais deixam de diagnosticar psicose e autismo e colocam tudo no gavetão do TDAH." A pediatra adverte que o estado de "atenção" produzido pela ritalina não é o efeito terapêutico dela, mas uma reação adversa.

Na verdade, Moysés também é contra tratamentos alternativos como o Neurofeedback, por questionar a própria existência do TDAH. "O Neurofeedback também é um erro porque parte do princípio de que o déficit de atenção é uma doença. Esse é um transtorno jamais se comprovou. Algumas crianças são mais agitadas, mais ativas. Isso é uma doença?", questiona.

 

Em defesa da ritalina

Já Bruno Palazzo Nazar, professor de psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do King's College de Londres, defende que o metilfenidato "é uma medicação comprovadamente valiosa". E discorda que o transtorno de hiperatividade seja algo inventado. Segundo ele, profissionais que se posicionam contra o diagnóstico "se deixam guiar por ideologias e preconceitos em detrimento dos pacientes e seus familiares, que sofrem".

A respeito do Neurofeedback, Nazar pertence ao grupo de especialistas desconfiados da validez clínica do método. "A mais recente revisão de estudos científicos aponta que o Neurofeedback talvez não seja eficaz no tratamento do TDAH", diz.

Ainda de acordo com Nazar, o risco de um possível "vício" em ritalina nunca foi comprovado cientificamente. "Como se trata de uma doença crônica, alguns pacientes vão precisar de uso contínuo da medicação, assim como faria um hipertenso ou um diabético", afirma.

O que diz a OMS?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o Décifit de Atenção e Hiperatividade como uma desordem neurológica. De acordo com a OMS, as terapias cognitivo-comportamentais, como Neurofeedback, são indicadas para as crianças com diagnóstico de TDAH.

O uso da ritalina não é descartado pela organização, desde que haja para o paciente um acompanhamento rigoroso por uma equipe de especialistas, além do consentimento da família. A OMS recomenda também que os pais recebam apoio para lidar com a situação.

No Brasil, algumas escolas já aplicam os direitos do Estatudo da Criança e do Adolescente nos casos de TDAH. Um jovem com o distúrbio pode ter condições especiais para fazer uma prova, ou solicitar assistência especializada na rotina escolar, como já acontece com quem sofre de autismo.

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