Pediatria preventiva pode evitar doenças na idade adulta


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Prevenir doenças crônicas no adulto desde sua vida intrauterina.

Essa nova visão da medicina, denominada Origens Desenvolvimentistas da Saúde e da Doença, já é exercida em cerca de 1.600 crianças do Instituto da Criança, ligado ao Hospital da Clínicas da USP (FMUSP).

O atendimento é feito no Centro de Saúde-Escola Samuel Pessoa, da FMUSP, por meio de um trabalho experimental da Disciplina de Pediatria Preventiva e Social, chefiada pela professora Sandra Grisi.

As doenças crônicas degenerativas, como diabetes, hipertensão, obesidade e colesterol, podem ser evitadas no adulto se um acompanhamento médico preventivo for feito na infância.

"A prevenção deve começar na pediatria", afirma a doutora Ana Maria Escobar, pediatra do ICr também à frente da disciplina. O objetivo de uma atenção médica desde o nascimento é aumentar a expectativa de vida e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vida na fase adulta. "Queremos que a pessoa viva até os 99 anos de forma saudável", completa.

Pediatria preventiva

A nova forma de encarar a pediatria é recente na história da medicina. Os primeiros estudos na área aconteceram na década de 1970.

"A partir daí, inúmeras pesquisas constataram que as próprias condições de vida intrauterina da criança influenciam nas chances de ela desenvolver doenças crônicas futuras", declara a doutora Ana Maria.

Ela explica que uma restrição de crescimento na barriga da mãe, em função do fumo, por exemplo, faz com que o bebê nasça com baixo peso e eleva as chances de desenvolver doenças na vida adulta.

Porém, não são apenas fatores ambientais, como o fumo durante a gestação ou uma má alimentação, que aumentam o risco de doenças, mas também fatores genéticos.

Por isso, para exercer a pediatria preventiva, deve ser verificada a predisposição da criança às doenças e aos fatores de risco aos quais está submetida.

Acompanhamento da criança

No Centro de Saúde-Escola Samuel Pessoa, as crianças são observadas não apenas dentro dos parâmetros habituais para a faixa etária, como acompanhamento do crescimento e do peso.

Também são consideradas as características ambientais e familiares, desde o desenvolvimento individual e histórico de gravidez da mãe até os problemas de saúde frequentes na família.

"A criança já possui, antes de completar um mês de vida, uma ficha completa onde consta todos os dados de sua família e histórico de doenças. Com isso temos um panorama de quem é a criança e assim conseguimos saber quais são seus fatores de risco e com o que temos que nos preocupar", conta Ana Maria, que enfatiza: "E tudo é feito dentro de uma rotina normal de consultas médicas."

Colesterol alto na infância

Se detectados fatores de risco que indiquem fortes chances do desenvolvimento de colesterol, por exemplo, já com dois anos a criança pode ter seu sangue colhido e a doença, se constatada, pode ser controlada. Das crianças que participam do programa experimental, 20 apresentam colesterol alto com menos de cinco anos de idade.

"Com uma intervenção precoce pudemos descobrir a doença e não vamos deixar que a artéria dessa criança entupa. Assim ela chegará na fase adulta com a doença controlada", assinala a pediatra.

Nos dias 25 e 26 de novembro, um simpósio internacional sobre o tema acontece no Hotel Intercontinental, em São Paulo. O evento, denominado Developmental Origins of Health and Disease (DOHaD) Brasil, tem como objetivo ressaltar as influências das experiências no início do ciclo vital (nutricionais, ambientais, etc) sobre a saúde.
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